Com publicação científica

Tatevosian Yana via Shutterstock
Amostras de solo sendo colhidas em campo para análise
Por Redação SciAdvances
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A poluição dos ecossistemas naturais é uma preocupação global: cada vez mais, contaminantes ameaçam a saúde humana, a produtividade agrícola e o equilíbrio ecológico.
Poluentes como arsênio, cromo, pesticidas e hidrocarbonetos de petróleo degradam o solo e as águas subterrâneas, ameaçando a qualidade dos recursos alimentares e hídricos para consumo humano.
Neste cenário, a proteção dos microbiomas do solo é fundamental para a resiliência dos ecossistemas, o meio ambiente e a saúde pública.
Na luta contra a poluição, a biotecnologia ambiental tem um papel relevante: através de processos de biorremediação, microrganismos são usados para ajudar a degradar poluentes ambientais, gerando a partir desse processo substâncias inofensivas ao meio ambiente.
Nas aplicações de biorremediação, a bioaumentação é uma estratégia que lança mão de cepas microbianas altamente especializadas para melhorar e acelerar a descontaminação ambiental.
Mas as estratégias tradicionais de bioaumentação, mesmo sendo econômicas e sustentáveis, ainda enfrentam desafios como as baixas taxas de degradação e as restrições ambientais à eficácia microbiana. Estes desafios têm impulsionado avanços importantes nas pesquisas nos últimos anos.
Recentemente, um estudo de revisão liderado por pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, descobriu que certos vírus podem ser aliados de bactérias na luta contra a poluição.
A bioaumentação com bacteriófagos lisogênicos – vírus que infectam bactérias e se integram ao genoma do hospedeiro sem matá-las imediatamente – utiliza genes de degradação de poluentes para reforçar as capacidades genéticas das bactérias para a biorremediação.
Importantes para a biotecnologia ambiental, os resultados do estudo sugerem que esse processo de bioaumentação pode aproveitar as funções ecológicas dos bacteriófagos lisogênicos para aprimorar a função microbiana em solos poluídos.
Niki Romeo, doutoranda da Universidade Flinders e primeira autora do estudo, explicou que os microrganismos podem levar anos para decompor toxinas e poluentes, e que os bacteriófagos lisogênicos são capazes de integrar genes metabólicos auxiliares em bactérias hospedeiras para melhorar a degradação.
O estudo foi publicado na revista científica Communications Biology.
De qualquer modo, os pesquisadores alertam sobre a necessidade de avaliar a segurança ecológica, a estabilidade genética e os impactos a longo prazo da liberação de bacteriófagos geneticamente modificados em ambientes naturais.
A doutoranda Niki Romeo destacou que protocolos de biossegurança e avaliações de risco ambiental precisam ser desenvolvidos para garantir que não ocorram efeitos colaterais indesejados antes da implementação em larga escala.
Enquanto isso, o método de bioaumentação deve motivar pesquisas mais aprofundadas para validar o fago candidato mais eficaz e para desenvolver ferramentas para monitorar a integração do fago e a expressão dos genes metabólicos auxiliares.
O Dr. Martin Breed, professor da Universidade Flinders e um dos orientadores do doutorado de Niki Romeo, afirmou que a remediação do solo e a restauração de ecossistemas são elementos cruciais para a melhoria das condições de vida dos seres humanos e de outras formas de vida na Terra.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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