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David Pereiras via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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Existem atualmente muitas discussões sobre a regulação do acesso às redes sociais por crianças em todo o mundo, principalmente com referência aos conteúdos acessados, que potencialmente podem causar vários problemas nocivos e graves, alguns deles até fatais.
Entre as diversas iniciativas para regulamentar o uso de redes sociais por crianças e responsabilizar as grandes plataformas, está o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA digital), que entrou em vigor a partir de março de 2026 e visa aumentar a proteção de crianças e adolescentes expostos às redes sociais e ao ambiente digital.
Mas, para além da influência dos conteúdos, a saúde de crianças e adolescentes pode ser comprometida, incluindo efeitos sobre a saúde mental, simplesmente pelo uso prolongado das redes e do ambiente on-line, mesmo que os conteúdos acessados sejam de boa qualidade.
O Estudo Longitudinal Prospectivo sobre Cognição, Adolescentes e Telefones Celulares (chamado ‘SCAMP’), liderado por pesquisadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, foi iniciado em 2014 como o maior estudo do gênero para investigar o uso de telefones celulares em relação aos resultados cognitivos, comportamentais e de saúde mental em crianças e adolescentes. Até recentemente, o estudo ainda tem embasado novas análises e conclusões.
Em um estudo publicado recentemente na revista científica BMC Medicine, os pesquisadores examinaram dados de 2.350 crianças e adolescentes de 31 escolas de Londres, inicialmente entre 2014 e 2016 (quando tinham entre 11 e 12 anos) e depois novamente entre 2016 e 2018 (quando tinham entre 13 e 15 anos de idade).
A Dra. Mireille Toledano, professora da Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres e pesquisadora principal do estudo, destacou que foi considerado um vasto conjunto de dados sobre saúde física e mental, função cognitiva, atividade física, sono, dieta, genética e biomarcadores da puberdade, com o objetivo de melhorar a compreensão sobre como o cenário complexo e multifatorial do mundo digital afeta a saúde mental das pessoas.
Os pesquisadores descobriram que, em comparação com o uso limitado de até 30 minutos por dia, o acesso às redes sociais e ao ambiente digital por mais de 3 horas por dia, principalmente à noite antes de dormir, está associado a níveis mais graves de sintomas de depressão e ansiedade.
A análise revelou que a quantidade insuficiente de sono e o hábito de dormir mais tarde mediaram as associações entre o uso de redes sociais e os sintomas de depressão e ansiedade. O papel da interrupção do sono – causada, por exemplo, por alertas no celular – mostrou-se menos pronunciado, mas ainda significativo.
A relação entre o uso de mídias sociais e a gravidade dos sintomas depressivos foi mais forte em meninas do que em meninos, mas outras associações foram semelhantes entre os gêneros.
Apesar das conclusões, os cientistas obviamente reconhecem que o cenário digital mudou drasticamente desde 2018, incluindo a quantidade de horas dedicadas às redes e a atração dos conteúdos das plataformas, como os vídeos curtos.
Este novo cenário tem o potencial de agravar ainda mais o problema, o que destaca a necessidade de mais pesquisas com dados mais recentes e detalhados.
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