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Milho com fungos do gênero Fusarium
Por Redação SciAdvances
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As células dependem de proteínas para crescimento, reparo, defesa contra patógenos e praticamente todos os outros processos vitais.
As proteínas são produzidas pelos ribossomos – que são as ‘fábricas de proteínas’ – e perturbações nessa produção estão associadas a doenças como câncer, distúrbios do desenvolvimento e infecções virais.
Neste cenário, diversas pesquisas em todo o mundo buscam substâncias que influenciem especificamente a produção de proteínas, visando compreender melhor o funcionamento dos ribossomos para futuramente desenvolver novas abordagens terapêuticas.
Ao pesquisar compostos ativos que influenciam processos fundamentais em células humanas, pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, descobriram uma toxina fúngica com propriedades surpreendentes: a toxina consegue paralisar as ‘fábricas de proteínas’, em alguns casos.
O estudo, publicado na revista científica Communications Biology, traz informações inéditas sobre um dos processos biológicos mais fundamentais — a produção de proteínas — e pode, em longo prazo, abrir caminhos para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
Em colaboração com colegas da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), também na Suíça, os cientistas desenvolveram um método robusto de triagem de alto rendimento utilizando lisados humanos, que contorna os efeitos citotóxicos celulares e identifica especificamente substâncias que influenciam a função dos ribossomos, simulando a produção de proteínas humanas fora das células vivas.
Utilizando esse sistema, foram medidas as quantidades de proteínas produzidas por 28.000 substâncias diferentes, e foi identificada uma toxina fúngica específica que reduz a velocidade da produção de proteínas e coloca os ribossomos da célula em um estado de latência: a micotoxina NT-2, produzida por fungos que infectam trigo, cevada, aveia e milho.
Nino Schwaller, mestrando na Universidade de Berna e primeiro autor do estudo, destacou que o novo método permitiu investigar os efeitos de toxinas ambientais e potenciais compostos ativos sobre a produção de proteínas com uma precisão sem precedentes.
Os testes mostraram que a micotoxina NT-2 se liga diretamente aos ribossomos das células.
Mas surpreendeu os pesquisadores o fato de que a NT-2 não afeta a produção de proteínas nos ribossomos dos próprios fungos que a produzem, apesar de seu potencial de perturbação na produção de proteínas em diversos tipos de células.
Neste caso, a equipe de pesquisa descobriu que uma grande proporção dos ribossomos fica em um estado estável, porém latente. De acordo com o Dr. Evangelos Karousis, professor da Universidade de Berna e coautor sênior do estudo, essas observações podem explicar por que certas toxinas ambientais ou medicamentos deixam vestígios de longo prazo nas células
Agora, os cientistas pretendem investigar sob quais condições os ribossomos inativos podem ser reativados e qual o gatilho desse estado especial de repouso.
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