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Colônias de estreptomicetos em placa de Petri
Por Redação SciAdvances
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As bactérias filamentosas conhecidas como estreptomicetos (Streptomyces) são extremamente comuns e abundantes, atuando de modo importante na decomposição de matéria orgânica, além de serem consideradas ‘fábricas farmacêuticas naturais’.
As actinobactérias são capazes de produzir metabólitos bioativos responsáveis pela produção de vários compostos anticancerígenos, imunossupressores e antibióticos usados em todo o mundo.
Dado o grande interesse em aplicações clínicas de produtos que podem ser derivados dessas bactérias, vários grupos de pesquisa seguem estudando novas possibilidades.
Um estudo recente publicado na revista científica Nature Microbiology sugere que as possibilidades oferecidas pelos estreptomicetos são ainda mais amplas do que se imaginava, depois que os cientistas identificaram uma nova classe de toxinas produzidas por essas bactérias.
Apesar das semelhanças estruturais com uma toxina envolvida na difteria, as proteínas tóxicas recém-descobertas não causam doenças em humanos, apesar de matarem uma ampla gama de insetos.
Para entender exatamente por que as proteínas inseticidas dos estreptomicetos são tóxicas apenas para insetos, os pesquisadores usaram a tecnologia de edição genômica CRISPR para identificar os fatores do hospedeiro necessários para a toxicidade e identificaram uma proteína de superfície específica responsável por essa ativação.
Participaram do estudo pesquisadores da Universidade McMaster, Universidade de Toronto e Universidade de Waterloo, no Canadá; Boston Children’s Hospital, Escola Médica de Harvard, Universidade de Wisconsin-Madison, Universidade da Califórnia em Davis, Universidade Estadual de Oklahoma e Universidade Yale, nos EUA; e da Universidade de Estocolmo, na Suécia.
Por meio de análises bioinformáticas, genômicas e evolutivas, a equipe de pesquisa rastreou o surgimento dessas toxinas até então desconhecidas ao longo do tempo, para determinar quando essas bactérias desenvolveram a capacidade de produzi-las. A descoberta foi surpreendente: tratam-se de toxinas ancestrais, produzidas há mais de 100 milhões de anos.
Mas nem todas as espécies de estreptomicetos produzem essas toxinas: na verdade, a grande maioria das espécies vive em harmonia com os insetos. Segundo os pesquisadores, essa capacidade parece estar restrita a algumas linhagens específicas dos estreptomicetos.
O Dr. Cameron Currie, professor da Universidade McMaster e da Universidade de Wisconsin-Madison e um dos líderes do estudo, destacou que o fato ser encontrado algo tão inovador em um dos grupos de bactérias mais abundantes e estudados do mundo ressalta o quão pouco se sabe sobre as bactérias.
Os pesquisadores já patentearam a descoberta e agora pretendem comercializar a ‘nova’ toxina, particularmente para o setor agrícola, onde esse tipo de toxina é bastante procurada.
Agora, novos estudos devem ser conduzidos para explorar potenciais aplicações da toxina para a saúde humana.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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