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Por Redação SciAdvances
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A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica, autoimune e inflamatória que ataca o Sistema Nervoso Central, danificando o revestimento de mielina dos nervos e comprometendo a comunicação entre o cérebro e o corpo, o que se manifesta em limitações motoras e cognitivas.
A doença causa sintomas como fadiga, problemas de visão, dormência, fraqueza muscular e alterações de equilíbrio.
Apesar de não haver cura, os tratamentos medicamentosos disponíveis têm como objetivos controlar os surtos e retardar a progressão da doença, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Mas cada paciente responde de uma maneira diferente ao tratamento: cerca de 35% dos pacientes continuam apresentando sintomas mesmo após anos de tratamento.
Um estudo coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicado na revista científica Nature Communications mostrou que é possível prever se uma pessoa com esclerose múltipla responderá bem ao medicamento ‘natalizumabe’ — um dos tratamentos mais comuns contra a doença — antes mesmo do início da terapia.
Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) desenvolveram um teste laboratorial simples que, a partir de uma amostra de sangue, analisa a reação de células imunológicas do paciente quando expostas ao medicamento.
Uma parte importante da pesquisa foi realizada durante o doutorado de Beatriz Chaves, atualmente doutora em Ciências (Biotecnologia e Saúde) pelo Programa de Pós-graduação em Biologia Computacional e Sistemas do IOC/Fiocruz. A Dra. Beatriz é a primeira autora do estudo.
Linfócitos T específicos
Os pesquisadores descobriram que a chave para antecipar se o paciente responderá bem à terapia está na observação de um tipo específico de linfócito T: as células T CD8. Na esclerose múltipla, essas células podem atacar estruturas saudáveis do sistema nervoso, como a mielina, achando que são ameaças.
A pesquisa mostrou que o medicamento natalizumabe não age da mesma forma nas células T CD8 de todos os pacientes. Essas diferenças ajudam a explicar por que o medicamento é altamente eficaz para alguns e apresenta efeito limitado em outros casos.
Os pesquisadores então coletaram amostras de sangue de pessoas com esclerose múltipla antes do início do tratamento e isolaram células mononucleares do sangue periférico, incluindo linfócitos T. Com as células isoladas, foram analisadas imagens de alta resolução com algoritmos de aprendizado de máquina para reconhecer padrões de forma, movimentação e organização interna das células que poderiam estar associados à boa ou má resposta ao medicamento.
Instituições participantes
Além da Fiocruz, o estudo contou com a participação de cientistas do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), Fiocruz Ceará, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto de Doenças Infecciosas e Inflamatórias de Toulouse (Infinity), na França.
Os pesquisadores desenvolveram um teste in vitro que pode predizer a resposta clínica antes do início da terapia, a partir do comportamento de linfócitos T CD8 expostos ao natalizumabe em cada paciente.
Segundo o Dr. Helder Nakaya, pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein, o uso de inteligência artificial foi fundamental para reduzir mais de 400 características das células para poucas combinações, o que já permite prever se o paciente vai responder ou não ao tratamento.
O novo teste também representa um avanço na medicina personalizada, onde a melhor opção terapêutica é escolhida a partir de características do próprio paciente.
Agora, após o depósito do pedido de patente internacional, a pesquisa avança em estudos pré-clínicos com modelos animais. Posteriormente, os pesquisadores ainda precisam realizar estudos clínicos para depois registrar o teste e disponibilizá-lo para uso clínico.
A perspectiva é que o teste possa ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) até 2035.
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Outros avanços

Universidade de Waterloo


