
Evaldo Resende via Wikimedia Commons
Aranha Nephilingis cruentata em sua teia
Fonte
Éric Nobre, Thereza Marinho e Sueli de Freitas, UFES
Publicação Original
Áreas
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Resumo
Pesquisadores usaram teias de aranha para coletar partículas de microplásticos presentes no ar no campus da UFES, no Espírito Santo.
O novo método, eficiente e de baixo custo, pode ajudar no monitoramento da distribuição de microplásticos na atmosfera.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Os microplásticos, resíduos de plásticos na forma de partículas sólidas e insolúveis em água e com tamanho inferior a 5 mm, já estão em todos os lugares, inclusive nos seres humanos, onde podem causar sérios problemas de saúde.
O monitoramento adequado de microplásticos pode ajudar a definir estratégias de gestão ambiental ou mesmo diretrizes para proteção à saúde.
Estudo
Um novo estudo desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Biologia Costeira e Análise de Microplásticos (LaBCAM) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) usou uma alternativa inovadora para acessar partículas de microplásticos na atmosfera: as teias de aranha.
O LaBCAM da UFES é especializado em análises de microplásticos em diferentes ambientes, como na água, sedimentos de praia e tecidos de animais. Entretanto, esse foi o primeiro trabalho observando a atmosfera.
Os pesquisadores, liderados pela Dra. Mércia Barcellos da Costa, coordenadora do LABCAM da UFES, analisaram os tipos e a quantidade de microplásticos inalados diariamente. Além de professores, técnicos e estudantes de graduação, mestrado e doutorado da UFES, também participaram do estudo pesquisadores da Universidade Tecnológica do Peru e da Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
Foram selecionados 30 locais estratégicos no campus de Goiabeiras da UFES, com mais ou menos movimentação de pessoas, considerando fatores como o entorno, a direção e a velocidade do vento. Foram coletadas teias de Nephilingis cruentata (aranha-de-telhado) e, após o processo de preparação das teias, foi usada espectroscopia Raman para a determinação da composição química dos polímeros.
O estudo foi publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials.
Essa abordagem, aplicada pela primeira vez no continente americano, é uma forma rápida e barata de biomonitoramento e pode ser usada para avaliar os riscos ecológicos e de saúde humana causados pelos microplásticos atmosféricos
Resultados
Amostras recolhidas revelaram uma quantidade significativa de microplásticos, demonstrando a eficiência das teias na captação dos resíduos, com um custo reduzido em comparação aos métodos convencionais.
Foram encontradas 3.138 partículas de microplásticos em todas as amostras, indicando que 100% do ambiente estudado estava contaminado com microplásticos. Os pesquisadores identificaram partículas de IPP, PET, PU, Nylon/PA e DPET.
Os pesquisadores depositaram o pedido de patente da inovação e e se preparam para expandir o trabalho em níveis estadual e nacional, com o objetivo de entender onde os microplásticos atmosféricos estão chegando e quais são os mecanismos que a ciência pode usar para evitar a contaminação.
Nosso estudo confirmou a importância das teias de aranha nessa abordagem e acreditamos que os resultados fornecem uma nova direção para a aplicação futura de teias de aranha em monitoramentos de microplásticos e para a implementação de legislação de proteção ambiental e regulamentação do lixo plástico
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Acesse a revista científica Journal of Hazardous Materials (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Federal do Espírito Santo.
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