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Por Redação SciAdvances
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Atualmente, a obesidade é um dos maiores desafios de saúde pública, agindo não apenas como um fator de risco para doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, mas também como um complicador significativo na resposta do sistema imunológico a doenças infecciosas.
Apesar dos mecanismos envolvidos não serem totalmente conhecidos, estudos têm associado a obesidade a piores desfechos em termos de hospitalizações e óbitos ligados a doenças graves.
Uma nova pesquisa internacional usou dados de dois estudos de coorte finlandeses (com mais de 67 mil adultos) e da base de dados UK Biobank (com mais de 479 mil adultos) para investigar a associação entre obesidade e a gravidade de doenças infecciosas.
Os dados dos participantes foram analisados por um período médio de 13 a 14 anos, por meio de registros nacionais de hospitalização e mortalidade por doenças infecciosas. Os participantes não tinham histórico recente de hospitalizações relacionadas a infecções no início do estudo.
Os pesquisadores classificaram os participantes de acordo com seu Índice de Massa Corporal (IMC), considerando peso saudável (18,5–24,9 kg/m²), sobrepeso (25,0–29,9 kg/m²) ou obesidade, classificada como classe I (30,0–34,9 kg/m²), classe II (35,0–39,9 kg/m²) ou classe III (≥40,0 kg/m²).
A Dra. Solja Nyberg, pesquisadora da Universidade de Helsinque, na Finlândia, e uma das coautoras principais do estudo, destacou que as descobertas vão além de um único patógeno, com associações semelhantes observadas para infecções bacterianas, virais, parasitárias e fúngicas.
Uma limitação da pesquisa é que, por terem sido considerados apenas dados observacionais, não há como comprovar relação de causalidade entre a obesidade e a gravidade das doenças infecciosas.
O estudo foi publicado na revista cientifica The Lancet. A publicação está aberta e traz todos os dados usados na pesquisa e os resultados detalhados.
Os pesquisadores descobriram que a obesidade está associada a um aumento significativo do risco de hospitalização ou morte por infecções comuns, incluindo gripe, Covid-19, pneumonia e infecções gastrointestinais e do trato urinário.
Pessoas com obesidade, ou seja, com IMC de 30 kg/m² ou superior, apresentaram um risco médio 70% maior de hospitalização ou morte por qualquer doença infecciosa do que aquelas com peso saudável, com o risco aumentando progressivamente de acordo com o IMC. Para pessoas com obesidade classe III, o risco foi três vezes maior.
Os pesquisadores também destacaram que mudanças no peso corporal também afetaram o risco de infecções graves: participantes que perderam peso e passaram da obesidade para o sobrepeso ou peso saudável apresentaram 20% menos infecções graves do que aqueles com obesidade persistente. Por outro lado, o ganho de peso, do sobrepeso para a obesidade, foi associado a um risco 30% maior de infecções.
O Dr. Mika Kivimäki, pesquisador da Universidade de Helsinque e da University College London, no Reino Unido, que liderou o estudo, destacou que a obesidade parece enfraquecer a capacidade do sistema imunológico de combater infecções, aumentando o risco de doenças graves.
Para além da análise dos dados das coortes utilizadas, os pesquisadores também extrapolaram os dados para estimativas globais, usando razões de risco derivadas das coortes incluídas no estudo e estimativas de prevalência de obesidade do Estudo Global da Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study). Então, a proporção de infecções fatais atribuíveis à obesidade foi estimada globalmente, regionalmente e por país para os anos de 2018 (antes), 2021 (durante) e 2023 (após a pandemia de COVID-19).
Finalmente, os cientistas destacaram que adultos com obesidade devem manter suas vacinas em dia e tomar todas as doses de reforço oferecidas a grupos de risco.
Autores/Pesquisadores Citados
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Outros avanços

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Universidade McMaster

