
Divulgação, UFRGS
Fonte
Camila Fernandes de Souza, Jornal da Universidade/UFRGS
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Resumo
Uma pesquisa de doutorado na UFRGS analisou – em ratos machos e fêmeas – os efeitos da administração de injeção de lactato em casos de asfixia perinatal.
Foi observado que o lactato proporcionou melhora motora e cognitiva em longo prazo, além de auxiliar progressivamente na recuperação do tecido nervoso, que pode sofrer lesões graves com essa condição.
Embora os recém-nascidos ainda demonstrassem certo prejuízo nas condições motoras, em longo prazo o prejuízo na locomoção se tornou imperceptível.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asfixia perinatal – a falta de oxigênio, fontes energéticas ou fluxo sanguíneo no tecido nervoso, durante ou após o parto, que leva à encefalopatia hipóxico-isquêmica – é a terceira principal causa de morte de crianças com menos de cinco anos no mundo.
Atualmente, o único tratamento utilizado em hospitais é a hipotermia terapêutica, em que o corpo do bebê precisa ser mantido em uma temperatura 2 a 5ºC menor do que o encéfalo durante 72 horas. Porém, essa solução requer um equipamento de alta complexidade na clínica e possui algumas desvantagens.
Neste cenário, uma pesquisa realizada no âmbito do Programa de Pós-graduação em Fisiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) avaliou a possibilidade de tratar a asfixia perinatal com injeção de lactato.
No estudo, foram simuladas as condições que causam a asfixia perinatal em ratos e observaram o quadro evolutivo nos períodos juvenil e adulto.
Em seu doutorado, a pesquisadora Isadora Tassinari conseguiu observar os efeitos do lactato em ratos recém-nascidos a partir de uma avaliação sensorial e motora, testando seus reflexos e sua locomoção.
A Dra. Isadora Tassinari, que é nutricionista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), concluiu seu doutorado na UFRGS em 2024 sob orientação do professor Luciano Stürmer de Fraga e recebeu menção honrosa no Prêmio Capes de Tese de 2025. Atualmente, a Dra. Isadora realiza pós-doutorado no Laboratório de Neuroanatomia Funcional no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP).
[A injeção de lactato] seria uma ferramenta importante, principalmente em locais em que não há centros de alta complexidade para esse tratamento. São justamente os locais em que o maior número de neonatos passa por esses eventos, porque [normalmente] já não tiveram, por exemplo, um acompanhamento pré-natal adequado
Os resultados mostraram que o lactato proporcionou melhora motora e cognitiva em longo prazo, além de auxiliar progressivamente na recuperação do tecido nervoso, que pode sofrer lesões graves com essa condição.
Os animais tratados com a injeção da molécula tiveram uma facilidade maior para desempenhar as tarefas, quando comparados àqueles submetidos a uma cirurgia fictícia ou que simplesmente não receberam a substância.
Embora os recém-nascidos ainda demonstrassem certo prejuízo nas condições motoras, em longo prazo o prejuízo na locomoção se tornou imperceptível.
Na fase adulta, os animais tratados tiveram melhor desempenho nos testes cognitivos (como o reconhecimento de objetos), o que pode indicar uma melhora na memória. Também houve uma queda na porcentagem do cérebro que estava afetada, ou seja, a área lesionada do tecido nervoso diminuiu significativamente.
Porém, antes que o procedimento seja testado em humanos recém-nascidos, o ideal é verificar se o efeito neuroprotetor do lactato se repete em outros animais, como porcos e ovelhas filhotes.
A pesquisadora, porém, já adiantou uma outra questão que poderia surgir futuramente: a possível diferença dos resultados em machos e fêmeas. Isso por que, apesar do desempenho de ambos os sexos nos testes cognitivos, sensoriais e motores ter sido muito semelhante, a recuperação do tecido nervoso lesionado foi maior entre os machos.
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Autores/Pesquisadores Citados
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Acesse a tese ‘Papel neuroprotetor do lactato em condições hipóxico-isquêmicas‘.
Acesse a notícia original completa no Jornal da Universidade da UFRGS.
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