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Uma pesquisa liderada pelo Dr. Erik Herzog, professor de Biologia da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, revelou que o momento em que um tratamento é administrado pode desempenhar um papel fundamental na resposta dos pacientes com câncer cerebral à quimioterapia.
Publicado recentemente na revista científica Journal of Neuro-Oncology, o estudo se concentra no glioblastoma, um câncer cerebral agressivo e resistente ao tratamento que afeta mais de 300.000 pessoas em todo o mundo a cada ano.
O tratamento padrão para esse câncer é o medicamento quimioterápico temozolomida (TMZ), mas sua eficácia é limitada. Muitos tumores reagem com uma enzima de reparo do DNA chamada MGMT, que ajuda as células cancerígenas a sobreviverem aos ataques do TMZ.
No entanto, os pesquisadores descobriram que os níveis de atividade da MGMT não são constantes. Tanto a metilação da MGMT — que desativa o gene — quanto a quantidade da proteína MGMT possuem um ciclo circadiano próprio, ou seja, flutuam ao longo do dia. Isso levou os pesquisadores a testar se o momento da biópsia do tumor também influenciaria os resultados do diagnóstico. Colegas pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis – entre eles o Dr. Joshua Rubin – forneceram cinco anos de dados de biópsias de pacientes, que o professor Erik Herzog e sua equipe analisaram.
“Atualmente, a metilação é usada para fins diagnósticos em câncer, particularmente para identificar tumores cerebrais com diferentes subtipos moleculares que estão correlacionados com diferenças na resposta ao tratamento”, explicou o Dr. Joshua Rubin.
A pesquisa focou em verificar se os níveis de metilação são estáveis ou se podem mudar com o horário do dia.
Os pesquisadores mostraram que coletar uma biópsia em diferentes horários do dia pode influenciar a forma como os médicos diagnosticam tumores. Esses ciclos circadianos na expressão do gene e da proteína MGMT também regulam a sensibilidade do tumor ao TMZ ao longo do dia. “Quando descobrimos que o TMZ é mais eficaz pela manhã, nos perguntamos se, talvez, isso coincidisse com o período em que há menos MGMT disponível para reparar os danos induzidos pelo TMZ”, explicou o professor Herzog.
Para entender melhor como esse mecanismo funciona, Maria Gonzalez-Aponte, pesquisadora de pós-doutorado no laboratório do professor Erik Herzog, mediu os níveis de MGMT ao longo do dia em células tumorais e amostras de glioblastoma de pacientes. Juntamente com a Dra. Olivia Walch – CEO da Arcascope, pesquisadora da Universidade de Michigan, nos EUA, e coautora da pesquisa – elas criaram um modelo matemático para prever quando o TMZ seria mais eficaz em relação ao ritmo diário do MGMT.
O modelo previu que, como o TMZ leva várias horas para causar danos ao DNA e ativar a morte celular, administrar o TMZ logo após o pico da proteína MGMT proporciona ao medicamento a melhor e mais longa janela de ação, enquanto os mecanismos de reparo do tumor estão mais lentos.
O horário da administração pode depender de uma série de fatores, incluindo a dose e as variações individuais nos ritmos circadianos.
O professor Erik Herzog está otimista de que esta pesquisa também poderá, um dia, melhorar a eficácia de outros medicamentos com mecanismos de ação semelhantes que tenham alvos circadianos conhecidos.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Journal of Neuro-Oncology (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Washington em St. Louis (em inglês).
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