Com publicação científica

Transição energética
Hidrogênio verde tem alto potencial de produção e consumo no Brasil
Estudo faz mapeamento de potenciais e aponta desafios de infraestrutura

dee karen via Shutterstock

Por Redação SciAdvances

7 de abril de 2026, 11:45

Fonte

Áreas

Carbono, Ciência Ambiental, Engenharia Ambiental, Engenharia de Energia, Geociências, Geografia, Gestão Ambiental, Química Verde, Sustentabilidade

Compartilhar

Transição energética

O Brasil possui uma das mais diversificadas e renováveis matrizes energéticas do mundo. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética e pelo Ministério de Minas e Energia, a participação das principais fontes na matriz energética brasileira é a seguinte: petróleo e derivados, 34,3%; biomassa da cana-de-açúcar (etanol e bagaço), 18,0%; hidrelétrica, 12,4%; gás natural, 12,2%; carvão vegetal, 8%-9%; carvão mineral, 5,3%; nuclear, 1,4%; eólica, 1-2%; solar, 1%; outras renováveis, 7% (ano-base 2023).

Os números mostram que cerca de 45% a 50% da matriz energética brasileira é renovável, enquanto a média mundial é de cerca de 15%. Além disso, mais de 80% da eletricidade brasileira é proveniente de fontes renováveis, um valor muito superior ao da maioria dos países industrializados.

Segundo o Plano Nacional de Energia 2050, a incorporação do hidrogênio poderá desempenhar papel importante na descarbonização ainda maior da matriz energética brasileira, especialmente no setor industrial.

O hidrogênio vem sendo apontado como uma das alternativas mais promissoras para diminuir emissões em setores industriais com dificuldades de descarbonização.

Quando o hidrogênio é produzido por eletrólise da água, utilizando eletricidade proveniente de fontes renováveis, como energia hidrelétrica, solar ou eólica, é chamado de ‘hidrogênio verde’, pois praticamente não gera emissões de gases de efeito estufa durante o processo produtivo.

Avanço: identificação de potenciais regiões de produção e consumo de H2 no brasil

Um novo estudo analisou dados de milhares de municípios brasileiros e identificou regiões com maior potencial tanto para a produção quanto para o consumo de hidrogênio verde no contexto da descarbonização industrial.

O estudo foi desenvolvido no Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa da Universidade de São Paulo (RCGI-USP) pela Dra. Drielli Peyerl, pesquisadora do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) e da Universidade de Amsterdã, nos Países Baixos, e por Celso da Silveira Cachola, doutorando no programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) do IEE-USP. A pesquisa foi publicada na revista científica International Journal of Hydrogen Energy.

Os pesquisadores mostraram que o país reúne condições favoráveis para desenvolver a nova fonte de energia limpa, mas também apontaram uma preocupação: os principais locais de produção e consumo não coincidem geograficamente, o que exigirá investimentos significativos em infraestrutura de transporte e distribuição.

Como referência da pesquisa, foi escolhida a eletrólise devido ao chamado ‘nível de maturidade tecnológica’ já alcançada pela tecnologia, ou seja, por já se tratar de uma tecnologia bastante desenvolvida.

Os pesquisadores reuniram dados de 5.569 municípios para avaliar o potencial de produção e de 2.569 municípios para estimar o potencial de consumo industrial.

A análise considerou seis variáveis principais: localização geográfica dos municípios, proximidade de infraestrutura energética (rede elétrica, gasodutos e portos), emissões industriais de CO₂, índice de segurança hídrica, incidência solar e velocidade média dos ventos. As informações foram analisadas com o auxílio de um algoritmo de Inteligência Artificial (IA).

Distâncias entre locais de produção e consumo trazem desafios logísticos

Publicidade

Autores/Pesquisadores Citados

Pesquisadora do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) e da Universidade de Amsterdã
Doutorando no programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) do IEE-USP

Publicidade

Rolar para cima