Com publicação científica

Jannissimo via Shutterstock (com adaptação)
Perda da visão central na degeneração macular relacionada à idade
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença ocular crônica, degenerativa e progressiva em que acontece o comprometimento da região central da retina, chamada de mácula, causando a perda da visão no centro do campo visual.
A DMRI é a principal causa mundial de deficiência visual e cegueira em pessoas com 50 anos ou mais.
Na DMRI, o processo de degeneração da mácula começa no Epitélio Pigmentar da Retina (EPR), que protege e mantém os fotorreceptores sensíveis à luz. Quando o EPR sofre um processo degenerativo crônico e progressivo, sua falha leva diretamente à perda da visão central.
O envelhecimento, a predisposição genética e o tabagismo são conhecidos fatores de risco para a DMRI; mas os mecanismos envolvidos em como o tabagismo afeta o início e progressão da DMRI ainda não são completamente conhecidos.
Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e da Universidade Tulane, nos EUA, avançaram na compreensão de como o tabagismo danifica os olhos e contribui para o desenvolvimento da DMRI.
Em um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas descreveram como compararam as alterações nas células do EPR em camundongos de 3 e 12 meses de idade após exposição aguda e crônica à fumaça do cigarro. Essas idades correspondem ao início da idade adulta e ao final da meia-idade em humanos.
O Dr. James Handa, chefe da divisão de retina do Instituto Oftalmológico Wilmer da Universidade Johns Hopkins e autor sênior do estudo, explicou que o estudo mostrou que fumar causa alterações epigenéticas nas células do EPR com efeitos abrangentes sobre o olho e sua capacidade de responder ao estresse ambiental.
Usando técnicas de sequenciamento genético, os pesquisadores estudaram células do EPR de camundongos depois de 3, 6 e 10 dias da injeção de condensado de fumaça de cigarro, e também de camundongos expostos à fumaça de cigarro diariamente durante quatro meses.
Segundo os pesquisadores, as alterações causadas pelo estresse agudo da fumaça do cigarro – incluindo a formação de aglomerados disfuncionais de EPR – limitaram a capacidade de funcionamento das células do EPR de camundongos jovens e idosos e replicaram características observadas em humanos com DMRI.
Em experimentos adicionais com células do EPR doadas por duas pessoas sem DMRI e não fumantes, uma pessoa sem DMRI que fumava e uma pessoa com DMRI em estágio inicial, os pesquisadores identificaram 1.698 genes subexpressos ou superexpressos e que são comuns entre células do EPR disfuncionais humanas e de camundongos.
Com base nessas descobertas, a equipe liderada pelo professor James Handa planeja agora caracterizar como a idade e a exposição contínua à fumaça de cigarro contribuem para os danos oculares e comorbidades observadas em pacientes com DMRI em estágio avançado.
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Outros avanços

Universidade Maastricht

Revista eClinicalMedicine

