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Everton Lima, IFF/Fiocruz
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Resumo
Pesquisadores realizaram a maior análise com dados primários já realizada no mundo sobre crianças com microcefalia associada ao vírus zika, considerando informações de 843 crianças com microcefalia ao nascimento, na primeira avaliação ou durante o acompanhamento, nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018.
Os dados são provenientes de 12 coortes que integram o Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), uma iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes estados e instituições do Brasil e do exterior.
Os pesquisadores confirmaram que a Síndrome Congênita do Zika vai além da microcefalia, envolvendo um conjunto complexo de alterações neurológicas, oftalmológicas e motoras.
Os autores destacaram a necessidade de cuidado multidisciplinar contínuo e políticas públicas que garantam suporte às famílias e às crianças afetadas.
Foco do Estudo
Por que é importante?
A microcefalia no Brasil teve seu pico durante a epidemia do vírus zika, entre os anos de 2015 e 2017, resultando em milhares de casos associados à Síndrome Congênita do Zika (SCZ), com sequelas graves como atraso no desenvolvimento e deficiência intelectual.
Essa epidemia inicial afetou mais o Nordeste e famílias vulneráveis, destacando a importância da vigilância e do combate ao mosquito Aedes aegypti, embora também existam outras causas da microcefalia.
Dez anos após o surto, famílias ainda lidam com os desafios do cuidado, enquanto a conscientização sobre o Aedes aegypti e a importância da saúde materno-infantil permanecem essenciais.
Estudo
Pesquisadores publicaram recentemente os resultados da maior análise com dados primários já realizada no mundo sobre crianças com microcefalia associada ao vírus zika.
O estudo – publicado na revista científica PLOS Global Public Health – reúne informações de 843 crianças com microcefalia ao nascimento, na primeira avaliação ou durante o acompanhamento, nascidas entre janeiro de 2015 e julho de 2018.
O objetivo da pesquisa foi traçar o perfil de crianças brasileiras com microcefalia relacionada ao zika, reunindo dados de participantes das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país.
Os dados são provenientes de 12 coortes que integram o Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC-Consórcio), uma iniciativa que reúne pesquisadores de diferentes estados e instituições dedicados à investigação das consequências da transmissão vertical do vírus zika, contribuindo para ampliar a compreensão da Síndrome.
Para o Dr. Demócrito Miranda, professor da Universidade de Pernambuco (UPE), “a importância deste estudo é consolidar um conhecimento que vem sendo construído nos últimos dez anos, desde o início da epidemia de microcefalia, identificada inicialmente no nordeste brasileiro”.
Até o momento, a caracterização da Síndrome Congênita do Zika (SCZ) se baseava em séries de casos e estudos com poucos participantes em estudos individuais. O tamanho relativamente grande da amostra permitiu observar que, entre as crianças com microcefalia, existe um espectro de gravidade e diferentes tipos de manifestações da Síndrome
Resultados
Segundo a Dra. Cristina Hofer, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “os desfechos mais frequentes foram as anormalidades estruturais do sistema nervoso central, detectadas por neuroimagem, além de anormalidades nos exames neurológico e oftalmológico”.
A microcefalia ao nascer ocorreu em 71,3% dos casos, dos quais 63,9% eram graves. A microcefalia pós-natal ocorreu em 20,4% das crianças, enquanto a prematuridade registrou taxa de 10% a 20% na maioria dos locais. O baixo peso ao nascer foi observado, em média, em 33,2% dos casos (variando de 10% a 43,8%). Dentre as malformações congênitas, o epicanto (dobra de pele da pálpebra superior que cobre parcial ou totalmente o canto interno do olho), o occipital proeminente (protuberância mais acentuada na parte de trás do crânio) e o excesso de pele no pescoço foram as mais frequentes.
Já em termos de alterações neurológicas, o déficit de atenção social foi observado em mais da metade das crianças, a epilepsia em 30% a 80% dos casos e a persistência de reflexos primitivos em 63,1% dos casos.
O comprometimento sensorial foi relatado através de alterações oftalmológicas em até 67,1% dos casos e também alterações auditivas.
As análises de neuroimagens detectaram calcificações cerebrais em 81,7% das crianças, ventriculomegalia em 76,8% e atrofia cortical em cerca de metade das crianças.
Com estes resultados, os pesquisadores confirmaram que a Síndrome Congênita do Zika vai além da microcefalia, envolvendo um conjunto complexo de alterações neurológicas, oftalmológicas e motoras.
Os autores destacaram a necessidade de cuidado multidisciplinar contínuo e políticas públicas que garantam suporte às famílias e às crianças afetadas.
Esses graves danos ao SNC [sistema nervoso central] exigem cuidados multidisciplinares e assistência de diferentes especialidades médicas e de outras áreas da saúde
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica PLOS Global Public Health (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Fundação Oswaldo Cruz.
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