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Por Redação SciAdvances
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O câncer de mama triplo-negativo – um dos subtipos mais agressivos de tumor da mama, caracterizado por não possuir receptores de estrogênio, de progesterona e nem produzir a proteína HER2 em excesso – representa aproximadamente entre 10% e 15% de todos os casos de câncer de mama.
No caso do câncer de mama triplo-negativo em estágio inicial, o tratamento geralmente é iniciado antes da cirurgia. Quando a doença invasiva residual na mama ou nos linfonodos não é detectada no momento da cirurgia, é alcançada a chamada resposta patológica completa.
Pacientes com resposta patológica completa apresentam taxas de recorrência muito baixas, o que significa que há uma probabilidade muito alta de que o tumor não retorne.
Um estudo conduzido por cientistas da rede internacional de pesquisa GAMBIT – que envolve a colaboração de 42 instituições de pesquisa na Itália, França, Bélgica, Países Baixos, Suécia, Polônia, Áustria e Japão – conseguiu avançar na compreensão do câncer de mama triplo-negativo.
O estudo, publicado recentemente na revista científica Nature Communications, descobriu dois marcadores de fácil acesso que podem ajudar a fazer um monitoramento personalizado do pós-tratamento de pacientes com câncer de mama triplo-negativo e também orientar pesquisas futuras.
Através da análise retrospectiva dos casos de 2.457 pacientes tratadas em 18 centros europeus integrantes da rede GAMBIT, foi identificado um subgrupo de pacientes que apresentavam resposta patológica completa mas que, na verdade, ainda tinham um risco residual clinicamente significativo de recidiva.
Então, os cientistas procuraram determinar se seria possível identificar, dentro desse grupo, pacientes com maior risco de recidiva, analisando dois marcadores: o comprometimento dos linfonodos axilares e o nível de linfócitos infiltrantes do tumor.
Ao combinar esses dois marcadores, os cientistas identificaram diferenças de risco até então desconhecidas no grupo de pacientes que haviam alcançado resposta patológica completa.
Especificamente, pacientes com comprometimento tumoral nos linfonodos axilares e baixos níveis de linfócitos infiltrantes apresentaram maior risco de recidiva em comparação com pacientes sem essas características.
Nesse subgrupo, a sobrevida livre de recidiva em cinco anos foi de 83,4%, enquanto nos demais grupos esse índice ultrapassou 95%. Além disso, quando a recidiva ocorria, ela afetava predominantemente um local específico: o sistema nervoso central.
De acordo com a Dra. Maria Vittoria Dieci, professora da Universidade de Pádua e coautora sênior do estudo, a resposta patológica completa, embora continue sendo um desfecho altamente favorável, não é suficiente para identificar uma população totalmente homogênea com prognóstico favorável.
A descoberta tem uma implicação prática importante, já que os dois marcadores identificados são facilmente acessíveis.
Agora, os cientistas pretendem validar essas descobertas por meio de estudos prospectivos e, posteriormente, elaborar estudos clínicos mais precisos e direcionados.
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