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Por Redação SciAdvances
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Substâncias psicodélicas – como a psilocibina e a dimetiltriptamina (DMT), o principal composto ativo da ayahuasca – parecem contribuir para a melhora da neuroplasticidade cerebral, ou seja, a capacidade dos neurônios de crescer, desenvolver ramificações e criar novas conexões.
Alguns cientistas acreditam que essa ação dos psicodélicos ajuda a interromper padrões de pensamento disfuncionais e a reduzir os sintomas depressivos.
Porém, tratamentos com substâncias psicodélicas estão disponíveis principalmente em ambientes de pesquisa e estudos clínicos, pois ainda faltam resultados quanto à segurança e eficácia.
Na última década, alguns estudos demonstraram evidências iniciais do potencial da DMT como terapia para a depressão. No entanto, até o momento, poucos estudos clínicos controlados por placebo foram realizados.
Um pequeno estudo clínico randomizado e controlado por placebo de Fase IIa, liderado por pesquisadores do Imperial College de Londres e da farmacêutica Helus Pharma, no Reino Unido, mostrou que participantes com depressão apresentaram reduções na gravidade dos sintomas quando tratados com DMT, em comparação com um placebo.
O estudo analisou 34 participantes, todos com depressão moderada a grave e histórico de pelo menos dois tratamentos anteriores sem sucesso, seja através da medicina convencional ou da psicoterapia.
Metade dos participantes recebeu uma dose única de DMT por via intravenosa durante 10 minutos, enquanto a outra metade recebeu um placebo (mesma dose, mesma via de administração, mas sem o composto psicoativo). Todos os participantes receberam o mesmo suporte psicoterapêutico, com acompanhamento presencial durante o período de administração da dose.
Antes e depois do tratamento com DMT ou placebo, a gravidade dos sintomas foi mensurada por meio da chamada ‘Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Åsberg’ (MADRS). A diferença nas pontuações foi utilizada como principal medida de mudança nos sintomas depressivos.
Os cientistas observaram que os participantes tratados com DMT apresentaram uma redução média maior na escala MADRS, em comparação com participantes que receberam placebo, com efeitos que duraram até seis meses em alguns casos.
O regime de tratamento foi bem tolerado e seguro, sem a ocorrência de efeitos adversos graves relacionados ao tratamento.
O Dr. David Erritzoe, professor de Psicofarmacologia e Psiquiatria do Imperial College de Londres e pesquisador principal do estudo, destacou que uma única experiência com DMT foi segura, eficaz e duradoura, com efeitos comparáveis aos de outros tratamentos psicodélicos promissores que geralmente exigem sessões de tratamento muito mais longas.
O professor também ressaltou que, apesar de se tratarem de resultados preliminares e de ainda serem necessários mais estudos para avaliar o tratamento em grupos maiores de pacientes, há potencial para que a terapia com DMT possa se tornar um tratamento eficaz contra a depressão clínica.
Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Medicine.
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