Com publicação científica

Transtorno depressivo
Estudo clínico testa principal composto bioativo da ayahuasca contra a depressão
Pacientes com transtorno depressivo maior tiveram reduções significativas e duradouras em sintomas com uma única dose do composto psicodélico DMT

PeopleImages via Shutterstock

Por Redação SciAdvances

18 de fevereiro de 2026, 18:48

Fonte

Áreas

Atenção Primária, Bioquímica, Desenvolvimento de Fármacos, Epidemiologia, Estudo Clínico, Farmacologia, Indústria Farmacêutica, Neurociências, Neurologia, Produtos Naturais, Psiquiatria, Saúde Mental, Toxicologia

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Transtorno depressivo

Substâncias psicodélicas – como a psilocibina e a dimetiltriptamina (DMT), o principal composto ativo da ayahuasca – parecem contribuir para a melhora da neuroplasticidade cerebral, ou seja, a capacidade dos neurônios de crescer, desenvolver ramificações e criar novas conexões.

Alguns cientistas acreditam que essa ação dos psicodélicos ajuda a interromper padrões de pensamento disfuncionais e a reduzir os sintomas depressivos.

Porém, tratamentos com substâncias psicodélicas estão disponíveis principalmente em ambientes de pesquisa e estudos clínicos, pois ainda faltam resultados quanto à segurança e eficácia.

Na última década, alguns estudos demonstraram evidências iniciais do potencial da DMT como terapia para a depressão. No entanto, até o momento, poucos estudos clínicos controlados por placebo foram realizados.

Avanço: estudo clínico randomizado testa uso de DMT em participantes com depressão

Um pequeno estudo clínico randomizado e controlado por placebo de Fase IIa, liderado por pesquisadores do Imperial College de Londres e da farmacêutica Helus Pharma, no Reino Unido, mostrou que participantes com depressão apresentaram reduções na gravidade dos sintomas quando tratados com DMT, em comparação com um placebo.

O estudo analisou 34 participantes, todos com depressão moderada a grave e histórico de pelo menos dois tratamentos anteriores sem sucesso, seja através da medicina convencional ou da psicoterapia.

Metade dos participantes recebeu uma dose única de DMT por via intravenosa durante 10 minutos, enquanto a outra metade recebeu um placebo (mesma dose, mesma via de administração, mas sem o composto psicoativo). Todos os participantes receberam o mesmo suporte psicoterapêutico, com acompanhamento presencial durante o período de administração da dose.

Antes e depois do tratamento com DMT ou placebo, a gravidade dos sintomas foi mensurada por meio da chamada ‘Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Åsberg’ (MADRS). A diferença nas pontuações foi utilizada como principal medida de mudança nos sintomas depressivos.

Os cientistas observaram que os participantes tratados com DMT apresentaram uma redução média maior na escala MADRS, em comparação com participantes que receberam placebo, com efeitos que duraram até seis meses em alguns casos.

O regime de tratamento foi bem tolerado e seguro, sem a ocorrência de efeitos adversos graves relacionados ao tratamento.

Potencial uso terapêutico requer mais estudos

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Autores/Pesquisadores Citados

Professor de Psicofarmacologia e Psiquiatria do Imperial College de Londres

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