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Cirurgia de revascularização do miocárdio
Fonte
Ali Howard, Universidade de Glasgow
Publicação Original
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Resumo
Um novo estudo clínico realizado no Reino Unido testou, em um paciente voluntário, a aplicação de terapia gênica no enxerto que foi retirado da perna do paciente para a realização do by-pass cardíaco.
Os pesquisadores usaram um vetor viral que carrega um gene para uma proteína envolvida na remodelação de tecidos, conhecida como TIMP-3.
Os cientistas acreditam que o tratamento com a terapia gênica TIMP-3 ajudará a prevenir o espessamento e o bloqueio do enxerto ao longo do tempo, potencialmente prolongando sua eficácia muito além do padrão atual e reduzindo o risco de falhas do enxerto.
Os bons resultados alcançados até aqui pela cirurgia realizada no paciente voluntario reforçam a continuidade do estudo clínico e aumentam a esperança em melhorar os resultados de cirurgias de ponte de safena para milhões de pessoas em todo o mundo.
Os vasos sanguíneos usados como enxertos em uma cirurgia de revascularização do miocárdio podem falhar porque não são naturalmente projetados para suportar a alta pressão do fluxo sanguíneo do coração.
Para melhorar este desempenho do vaso enxertado, pesquisadores no Reino Unido iniciaram um estudo clínico com um primeiro voluntário para avaliar o uso de terapia gênica durante a cirurgia de revascularização do miocárdio.
O estudo clínico – chamado PROTECT – está sendo liderado pelo NHS Greater Glasgow and Clyde (NHSGGC) e pela Universidade de Glasgow, em colaboração com o NHS Golden Jubilee e a Universidade de Edimburgo, e representa um marco importante na pesquisa cardiovascular.
A proposta é tratar a veia a ser enxertada com um vetor viral que carrega um gene para uma proteína envolvida na remodelação de tecidos, conhecida como TIMP-3.
O medicamento de terapia gênica TIMP-3 foi desenvolvido ao longo de vários anos pela equipe e produzido por meio de uma parceria que culminou no início do ensaio clínico.
A equipe de pesquisa desenvolveu uma maneira de administrar essa terapia no momento da cirurgia, diretamente no enxerto após sua remoção da perna, permitindo assim que a terapia seja administrada de forma segura e eficiente diretamente no tecido afetado antes de enxertar o vaso sanguíneo no coração.
Os cientistas acreditam que o tratamento com a terapia gênica TIMP-3 ajudará a prevenir o espessamento e o bloqueio do enxerto ao longo do tempo, potencialmente prolongando sua eficácia muito além do padrão atual e reduzindo o risco de falhas do enxerto.
Os pesquisadores esperam que a terapia prolongue a vida útil dos vasos sanguíneos utilizados durante o processo de enxerto e melhore significativamente a saúde do paciente.
Isso pode trazer muitos benefícios significativos, como ajudar a prolongar a expectativa de vida saudável do paciente e reduzir a necessidade de cirurgias adicionais.
A cirurgia de ponte de safena é um tratamento que salva vidas de pacientes com doença arterial coronariana e milhões de pessoas em todo o mundo estão vivendo mais tempo devido aos benefícios dessa cirurgia. O cirurgião cardíaco normalmente utiliza uma artéria e duas ou mais veias como enxertos de bypass. No entanto, nos anos seguintes à cirurgia, as veias geralmente se estreitam e podem obstruir, levando a angina, ataques cardíacos e insuficiência cardíaca. Nossa equipe desenvolveu uma nova abordagem para prevenir a falha do enxerto venoso. A nova terapia gênica foi desenvolvida ao longo de mais de duas décadas de trabalho em equipe, envolvendo muitos especialistas em colaboração. Estamos muito satisfeitos em liderar este novo estudo, que visa esclarecer a viabilidade e os potenciais benefícios desta nova terapia para pacientes submetidos à cirurgia de bypass cardíaco
Como resultado do estudo clínico até aqui, o paciente está se recuperando bem da cirurgia e contou que se sente com energia e capacidade física renovadas. “Não consigo acreditar em como estou me sentindo. Consegui fazer caminhadas duas ou três semanas depois de sair do hospital, já estou dirigindo novamente e fazendo pequenas coisas no jardim. Consigo subir e descer as escadas de casa agora, não me sinto mais letárgico. Estou dormindo muito melhor do que antes. Minha saúde está simplesmente fantástica”, disse o voluntário.
“Este estudo representa um marco importante para a pesquisa cardiovascular e o atendimento ao paciente. Ao utilizar a terapia gênica durante a cirurgia de bypass, pretendemos melhorar a durabilidade dos enxertos venosos e reduzir o risco de complicações ao longo do tempo”, disse o professor Dr. Jesse Dawson, Diretor de Pesquisa e Inovação do NHS Greater Glasgow and Clyde.
“Nosso objetivo final é ajudar os pacientes não apenas a viverem mais, mas também a desfrutarem de uma melhor qualidade de vida após a cirurgia. Nossa equipe do departamento de Pesquisa e Inovação trabalhou arduamente para viabilizar este estudo inédito e temos orgulho de liderar este ensaio clínico pioneiro em parceria com a Universidade de Glasgow e nossos colegas do NHS Golden Jubilee”, continuou o professor Jesse Dawson.
Os pesquisadores aguardam a conclusão do estudo clínico para daqui a alguns anos, mas estão animados com os resultados alcançados na primeira cirurgia.
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Autores/Pesquisadores Citados
Mais Informações
Acese a notícia original completa na página da Universidade de Glasgow (em inglês).
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