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Emily Fraser, Universidade de Sydney
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Resumo
Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, explicaram os principais riscos à saúde causados pelo calor extremo e compartilharam maneiras práticas e baseadas em evidências para se manter seguro.
Os principais riscos destacados foram a insolação, o ataque cardíaco e insuficiência renal.
Para a proteção, o uso do ar condicionado ou de ventilação são importantes para limitar os efeitos do calor. A hidratação é fundamental para regular a temperatura corporal via transpiração e garantir o bom funcionamento de órgãos, transportar nutrientes e eliminar toxinas.
O resfriamento com água fria é outra estratégia poderosa e de baixo custo. Um banho ou ducha fria, ou borrifar ou molhar a pele com água fria, também pode reduzir significativamente o estresse térmico.
Com as ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas, entender como o calor afeta o corpo e saber quando e como agir pode salvar vidas.
Pesquisadores do Centro de Pesquisa sobre Calor e Saúde da Universidade de Sydney, na Austrália, explicaram os principais riscos à saúde causados pelo calor extremo e compartilharam maneiras práticas e baseadas em evidências para se manter seguro.
Pesquisas já mostraram que a sensação térmica – e o impacto que ela causa no corpo – também depende da umidade, do vento e da radiação térmica, principalmente a solar. Fatores individuais, como nível de atividade, vestimenta, hidratação e doenças preexistentes também influenciam os riscos do calor extremo.
Portanto, o ‘calor extremo’ não possui uma definição universal única, e depende da localização geográfica, do clima local e das condições individuais. De modo geral, o ‘calor extremo’ se refere a um período de temperaturas e/ou umidade anormalmente altas que superam as médias históricas de uma área específica e representam riscos à saúde humana.
O que acontece com o corpo humano em condições de calor extremo?
De acordo com o Dr. Ollie Jay, professor da Faculdade de Medicina e Saúde e Diretor Acadêmico do Centro de Pesquisa sobre Calor e Saúde da Universidade de Sydney, os três principais efeitos que o calor extremo pode causar no corpo humano são: insolação, ataque cardíaco e insuficiência renal.
O risco mais imediato e perigoso é a insolação. Evidências mostram que a maioria das pessoas tolera temperaturas corporais centrais de até cerca de 38,5-39°C sem sofrer danos. Acima dessa faixa, o risco de exaustão pelo calor aumenta, com sintomas como tontura, náusea, vômito e falta de coordenação.
Se a temperatura corporal central de uma pessoa atingir cerca de 40°C ou mais, pode ocorrer insolação. Essa condição é potencialmente fatal e pode piorar rapidamente sem tratamento.
“Nessas temperaturas extremas, os órgãos vitais podem não receber sangue e oxigênio suficientes. Se o tratamento for atrasado, isso pode causar danos generalizados, incluindo falência de órgãos. O resfriamento imediato e rápido de todo o corpo – idealmente por imersão em água fria – pode ser a diferença entre a vida e a morte”, afirmou o professor Ollie Jay.
O calor extremo também está associado a um risco aumentado de ataques cardíacos, principalmente em pessoas com doenças cardiovasculares preexistentes. O professor explicou que isso geralmente não ocorre por superaquecimento, mas sim porque o calor exerce uma grande pressão sobre o coração, já que o sangue é redirecionado para a pele para ajudar no resfriamento. A desidratação reduz ainda mais o volume sanguíneo, aumentando a sobrecarga cardiovascular e o risco de colapso.
O terceiro risco principal é a insuficiência renal. Em condições de calor intenso, o sangue é desviado dos rins para a pele, reduzindo o fornecimento de oxigênio e aumentando o risco de lesão renal aguda. A desidratação repetida ao longo do tempo pode danificar ainda mais os rins e contribuir para a doença renal crônica.
Vizinhos idosos, pessoas que moram sozinhas e aquelas sem acesso ao ar-condicionado são particularmente vulneráveis [ao calor extremo]. Pessoas em situação de rua estão entre as que correm maior risco. Ofereça água, incentive o acesso à sombra ou a espaços mais frescos e, se alguém estiver confuso, desmaiado ou inconsciente, chame uma ambulância imediatamente
Como reduzir os riscos do calor extremo?
O Dr. Timothy English, um dos pesquisadores líderes sobre Ambientes Humanitários da Universidade de Sydney e professor da Faculdade de Medicina e Saúde, pesquisa a prevenção de doenças relacionadas ao calor em pessoas em situação de rua. Ele disse que a chave para reduzir o risco de doenças causadas pelo calor é agir cedo, antes de se sentir mal.
“Se você tiver ar-condicionado, use-o, mas não precisa estar no ‘gelado’ para ser protetor”, disse o pesquisador.
Uma abordagem prática é o resfriamento com ventilador: use um ventilador no início do dia e, se o ar-condicionado for necessário, ajuste-o para uma temperatura mais alta, porém confortável (em torno de 25-27 °C). Evidências mostram que o fluxo de ar aumenta a perda de calor do corpo, principalmente melhorando a evaporação do suor, e os ventiladores consomem muito menos energia elétrica do que o ar-condicionado.
É importante ressaltar que os ventiladores não são apenas para jovens e pessoas em boa forma física. Estudos mostram que, em condições quentes e úmidas, o uso de ventiladores pode reduzir significativamente o estresse cardiovascular relacionado ao calor em adultos mais velhos com doenças cardíacas que não estejam tomando betabloqueadores.
Para pessoas que não dispõem de ar-condicionado, os ventiladores ainda podem ajudar, mas há uma importante ressalva de segurança. Quando as temperaturas internas sobem acima de 40-42 °C, dependendo da umidade, um ventilador sozinho pode não ser suficiente e pode até piorar o estresse térmico. Nessas situações, a sugestão é priorizar o acesso a um ambiente que esteja refrigerado.
O resfriamento com água fria é outra estratégia poderosa e de baixo custo. Um banho ou ducha fria, ou borrifar ou molhar a pele com água fria, pode reduzir significativamente o estresse térmico. Combinar água fria com um ventilador pode amplificar ainda mais o efeito refrescante.
A hidratação também é crucial, pois a desidratação piora consideravelmente o estresse térmico e cardiovascular e pode anular os benefícios do uso do ventilador.
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