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Por Redação SciAdvances
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A experiência do contato com a natureza é destaca por várias culturas em todo o mundo como fundamental para o bem-estar do ser humano. Intuitivamente, as pessoas também têm essa percepção ao desfrutar de momentos junto a paisagens naturais.
Neste sentido, a ciência tem evoluído no estudo sobre como a conexão com a natureza pode afetar a saúde mental e, em última instância, a saúde integral das pessoas.
Novas descobertas da neurociência estão em andamento para mostrar como o corpo humano responde quando é exposto a ambientes naturais, e como essa interação pode reforçar a saúde e o bem-estar.
Um estudo de revisão liderado por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, e da Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile, analisou os resultados de mais de 100 pesquisas para avaliar como o cérebro responde à natureza.
A conclusão é clara: passar um tempo na natureza, mesmo que brevemente, desencadeia mudanças no cérebro que acalmam o estresse, restauram a atenção e tranquilizam a mente.
Mas a ‘exposição’ à natureza pode ser configurada por diferentes situações, desde olhar fotos de ambientes naturais ou cultivar um jardim em casa até experiências de imersão em parques, florestas e cachoeiras.
Segundo a Dra. Mar Estarellas, pesquisadora de pós-doutorado no Departamento de Psiquiatria da Universidade McGill e coautora sênior do estudo, apenas três minutos em um ambiente natural podem levar a mudanças mensuráveis, mas experiências mais longas, imersivas e reais geralmente estão associadas a efeitos mais intensos e duradouros.
O estudo foi publicado na revista científica Neuroscience & Biobehavioral Reviews.
Como resultado das análises dos estudos revisados, os pesquisadores identificaram um padrão em como o cérebro responde à natureza, caracterizado por quatro eventos em cascata:
- Mudança no processamento sensorial: Padrões fractais na natureza são mais fáceis de processar, reduzindo a carga cerebral;
- Redução do estresse: com a redução do processamento sensorial, o corpo sai do modo de ‘luta’ ou ‘fuga’, a frequência cardíaca diminui, a respiração se aprofunda e regiões do cérebro reduzem sua atividade.
- Restauração da atenção: com a redução do estresse, a atenção com foco em tarefas dá lugar a uma atenção guiada pelo ambiente, mais suave;
- Relaxamento de redes cerebrais: as redes cerebrais ligadas ao pensamento repetitivo e egocêntrico tornam-se menos ativas, fortalecendo a sensação de tranquilidade.
A Dra. Mar Estarellas afirmou que as descobertas sugerem que a natureza oferece um tipo de ‘reset’ mental que uma desintoxicação digital sozinha não consegue proporcionar.
As evidências apoiam movimentos de planejamento urbano sustentável e de ‘prescrição social’, em que médicos recomendam tempo na natureza.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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