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Universidade de Pádua
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Resumo
Um novo estudo de revisão sistemática da literatura incluiu mais de cem estudos experimentais e clínicos que demonstraram como compostos bioativos derivados de alimentos — incluindo polifenóis, isotiocianatos, folatos, catequinas e curcumina — são capazes de modular a atividade das DNA metiltransferases (DNMTs), enzimas-chave nos processos de metilação do DNA.
Os pesquisadores destacaram que muitos compostos naturais encontrados em alimentos comuns — como chá verde, brócolis, cúrcuma, vinho tinto ou soja — podem reprogramar a expressão genética por meio de modificações epigenéticas reversíveis através da influência sobre as DNMTs.
Essa ação pode ter influência direta sobre o envelhecimento saudável e na redução da inflamação, que pode prevenir o aparecimento de várias doenças.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Até que ponto a alimentação pode interferir nos genes e promover um envelhecimento saudável, prevenindo doenças crônicas?
Esta questão tem sido abordada por diversos estudos em todo o mundo, e abre portas para soluções de nutrição de precisão que podem influenciar decisivamente a qualidade de vida e o estado de saúde das pessoas.
Estudo
A metilação do DNA é um mecanismo epigenético que adiciona um grupo metil (CH3) à base citosina no DNA, regulando a expressão gênica sem alterar a sequência do DNA e influenciando a homeostase celular e o envelhecimento.
A desregulação das enzimas DNA metiltransferases (DNMTs), que catalisam a metilação do DNA, tem sido implicada em um amplo espectro de condições crônicas, incluindo câncer, distúrbios cardiovasculares e metabólicos e doenças neurodegenerativas.
Alguns estudos recentes têm sugerido que compostos bioativos derivados de alimentos podem atuar como inibidores das DNMTs, o que pode modificar a metilação do DNA.
Agora, em uma revisão sistemática da literatura, pesquisadores chegaram à conclusão que alguns alimentos contêm moléculas capazes de modular os mecanismos epigenéticos que regulam a expressão gênica, influenciando o processo de envelhecimento e a prevenção de doenças crônicas. A pesquisa foi liderada pela Dra. Sofia Pavanello, professora do Departamento de Ciências Vasculares Cardiotorácicas e Saúde Pública da Universidade de Pádua, na Itália.
O estudo, publicado na revista científica Advances in Nutrition, reuniu e analisou sistematicamente mais de cem estudos experimentais e clínicos (estudos in vitro, in vivo em animais e ex vivo) que demonstram como compostos bioativos derivados de alimentos — incluindo polifenóis, isotiocianatos, folatos, catequinas e curcumina — são capazes de modular a atividade das DNMTs, que influenciam a resposta do corpo ao estresse ambiental, à inflamação e ao envelhecimento.
Queríamos esclarecer rigorosamente quais alimentos e ingredientes ativos podem atuar como verdadeiros interruptores epigenéticos naturais. O objetivo é entender como a dieta pode ser usada para prevenir ou retardar os processos biológicos que levam ao envelhecimento e às doenças crônicas, abrindo caminho para uma nutrição cada vez mais personalizada e baseada em evidências
Resultados
O estudo confirmou que muitos compostos naturais encontrados em alimentos comuns — como chá verde, brócolis, cúrcuma, vinho tinto ou soja — podem reprogramar a expressão gênica por meio de modificações epigenéticas reversíveis. Esse ajuste fino da atividade do DNA pode ajudar a reduzir a inflamação, melhorar as defesas antioxidantes e manter uma idade biológica jovem.
A pesquisa faz parte do projeto Epifood do BioAgingLab da Universidade de Pádua, coordenado pela professora Sofia Pavanello, que visa desenvolver estratégias nutriepigenéticas para a longevidade e a saúde em ambientes extremos, incluindo o espaço.
O conhecimento adquirido também contribuirá para o programa ASI Space Food, que visa criar alimentos funcionais para astronautas que possam combater o estresse oxidativo, a inflamação e o envelhecimento prematuro durante missões de longa duração.
Mas os pesquisadores destacaram que mais estudos clínicos bem planejados são necessários para avaliar a eficácia, a segurança e a biodisponibilidade em longo prazo desses compostos e para validar seu uso em intervenções epigenéticas personalizadas usando marcadores biológicos de envelhecimento.
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Advances in Nutrition (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Pádua (em italiano).
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