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Iryna Inshyna via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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Em casos de nascimento pré-termo – principalmente de bebês muito prematuros (gestação entre 28 e 32 semanas) e extremamente prematuros (gestação com menos de 28 semanas) – pode ocorrer deficiência de oxigenação e crescimento anormal dos vasos sanguíneos da retina, o que pode levar à chamada retinopatia da prematuridade.
A retinopatia da prematuridade é uma doença ocular grave em bebês prematuros e uma das causas mais comuns de deficiência visual grave e cegueira em crianças no mundo todo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, os bebês com menos de 1500 gramas e com idade gestacional inferior a 32 semanas devem ser submetidos a exames oftalmológicos para monitorar a retinopatia ainda na UTI neonatal.
O tratamento convencional consiste em terapia a laser na retina ou administração de injeções de um inibidor vascular diretamente no olho. Ambos os tratamentos são invasivos, apresentam riscos e requerem anestesia, que deve ser evitada preferencialmente em bebês prematuros.
A Dra. Lotta Gränse, médica oftalmologista e pesquisadora da Universidade Lund e do Hospital Universitário de Skåne, na Suécia, é a primeira autora de um estudo recente que demonstrou que o uso de colírio contendo cortisona (dexametasona) em baixa dose poderia prevenir o desenvolvimento da retinopatia em prematuros.
O estudo, publicado na revista científica Ophthalmology, indica que o novo tratamento pode ajudar a evitar o tratamento invasivo convencional.
O estudo incluiu um total de 2.017 bebês nascidos antes da 30ª semana de gestação que foram triados para retinopatia da prematuridade durante os períodos de 2015-2018 e 2020-2021, ou seja, antes e depois da introdução da dexametasona oftálmica na Região Sul de Saúde da Suécia, no momento do diagnóstico de retinopatia da prematuridade grave.
Entre 2015 e 2018, 72% (23 de 32) dos bebês com retinopatia da prematuridade grave necessitaram de tratamento convencional sob anestesia na Região de Saúde do Sul da Suécia. Em outros três grandes hospitais incluídos no estudo, o percentual correspondente foi de 47% (82 de 175).
Já no período de 2020 a 2021, foi iniciada a administração de colírio de cortisona (dexametasona) em baixa dose na Região de Saúde do Sul. A terapêutica levou a uma redução significativa na necessidade de tratamento convencional, com apenas 13% (4 de 32) dos bebês com retinopatia da prematuridade grave necessitando desse tratamento. Os outros três hospitais incluídos no estudo mantiveram o tratamento padrão inalterado e, portanto, serviram como grupo controle, onde 56% (32 de 57) dos bebês receberam o tratamento convencional.
Os pesquisadores destacaram que, nos bebês com retinopatia da prematuridade grave, a introdução de colírio de dexametasona foi associada a uma redução significativa na proporção de bebês que necessitaram do tratamento tradicional.
Eles concluíram que a administração oportuna de colírio de dexametasona em baixa dose pode servir como uma intervenção simples, de baixo custo e não invasiva para reduzir uma das principais causas de deficiência visual grave em todo o mundo.
De qualquer modo, os pesquisadores destacaram que estudos adicionais ainda são necessários para confirmar os resultados. A Dra. Lotta Gränse quer investigar agora os fatores que influenciam os bebês que ainda precisam de tratamento convencional e estudar os efeitos do colírio em acompanhamentos de longo prazo no desenvolvimento do olho e da saúde da criança.
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