Com publicação científica

Volodimir Zozulinskyi via Shutterstock
Ilustração 3D de microrganismos intestinais
Por Redação SciAdvances
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Causado principalmente por uma dieta desequilibrada, uso excessivo ou prolongado de medicamentos, estresse crônico, sedentarismo e consumo de álcool, o desequilíbrio entre microrganismos saudáveis e microrganismos patogênicos na microbiota intestinal – também chamado de disbiose – pode ser um caminho para a evolução de várias doenças.
Apesar desse desequilíbrio ser reconhecidamente importante, ainda não há uma maneira de medi-lo, o que dificulta uma análise clínica precoce bem como qualquer ação terapêutica que restaure o equilíbrio da microbiota.
Um estudo conduzido por cientistas da Universidade de Granada, na Espanha, em colaboração com colegas da Universidade Rutgers e da Universidade Princeton, nos EUA, apresentou um marcador prático que pode ser indicativo da disbiose. O marcador tem como base um modelo físico-matemático-computacional do ecossistema da microbiota intestinal humana.
O novo modelo inclui interações entre os microrganismos que surgem naturalmente de processos ecológicos básicos, como a competição por recursos compartilhados, e a alimentação cruzada, quando algumas espécies se beneficiam dos produtos metabólicos de outras.
Com isso, o modelo consegue reproduzir padrões gerais observados em comunidades intestinais reais e mostra o surgimento de dois estados ecológicos distintos, comparáveis a microbiotas saudáveis e microbiotas afetadas por disbiose.
Os cientistas destacaram que uma descoberta importante foi que esses estados diferem não apenas nos microrganismos presentes, mas também na forma como suas interações são organizadas — ou seja, em sua rede de contatos.
Então, a equipe de pesquisa propôs um indicador simples que pode indicar um estado ou outro: o Índice de Equilíbrio da Rede Ecológica (ENBI), que mede o equilíbrio entre os tipos de interações dentro da comunidade microbiana.
Em casos reais, os cientistas puderam distinguir de forma confiável a disbiose devida à doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável, infecção por Clostridioides difficile e câncer colorretal. Nestes casos, o índice ENBI apresentou valores estáveis e notadamente mais altos do que em pessoas saudáveis.
Segundo os cientistas, os resultados podem abrir caminhos para o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico e detecção precoce baseadas na microbiota, com aplicações potenciais no monitoramento da disbiose e na identificação precoce de fatores de risco.
Os resultados foram publicados na revista Science.
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