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Veterinário examinando um Dogue Alemão com câncer em clínica veterinária
Fonte
Deborah Stull, Penn Today
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Resumo
Em um estudo de prova de conceito, pesquisadores conseguiram validar que o odor do hemangiossarcoma –um dos cânceres mais agressivos em cães – é detectável e poderia ser usado para o diagnóstico precoce da doença.
Os pesquisadores testaram a hipótese com cinco cães de biodetecção, previamente treinados para reconhecer odores associados a outras doenças, e mostram que o hemangiossarcoma possui um odor característico ou um padrão de compostos orgânicos voláteis que os cães conseguem detectar.
Em média, em todos os testes, os cães identificaram corretamente as amostras de hemangiossarcoma em 70% das vezes, uma taxa próxima da faixa observada em estudos com cães que detectam câncer em humanos, uma abordagem mais consolidada.
Agora, sabendo que o odor é detectável, os esforços de pesquisa podem ser direcionados para o desenvolvimento de um dispositivo ou um teste para detectá-lo, o que poderia ajudar a detectar a doença precocemente e levar a melhores desfechos.
Foco do Estudo
Por que é importante?
O câncer é uma das principais causas de morte em humanos e animais de estimação. Estudos sugerem que entre um terço e metade de todos os cães desenvolverão câncer durante a vida.
O hemangiossarcoma, um câncer maligno e agressivo das células dos vasos sanguíneos, é especialmente devastador, e frequentemente diagnosticado apenas quando um cão aparentemente saudável entra em colapso.
Atualmente, não existem medidas ou ferramentas de diagnóstico para detectá-lo precocemente e, uma vez diagnosticado, o prognóstico é ruim.
Estudo
Pesquisadores liderados pela Dr. Cynthia M. Otto, professora da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia (PennVet), nos EUA, avaliaram se o hemangiossarcoma possui um odor característico ou um padrão de compostos orgânicos voláteis que os cães conseguem detectar.
Os compostos orgânicos voláteis são o que realmente cheiramos, explicou a Dra. Clara Wilson, pesquisadora de pós-doutorado no Working Dog Center da PennVet e primeira autora do estudo. “Percebemos compostos orgânicos voláteis sempre que cheiramos algo. Os cães têm a capacidade de detectar essas substâncias em níveis muito mais baixos do que nós. Esses compostos são importantes porque parecem ser a chave para a capacidade dos cães de farejar coisas como o câncer”, explicou a pesquisadora.
Cinco cães de biodetecção, previamente treinados para reconhecer odores associados a outras doenças, incluindo doença debilitante crônica, transtorno de estresse pós-traumático, câncer de ovário humano e câncer de pâncreas humano, participaram de testes duplo-cegos que incluíram amostras de soro sanguíneo de cães com hemangiossarcoma confirmado, cães com doenças não cancerosas que não o hemangiossarcoma (controles doentes) e controles saudáveis; cada cão avaliou 12 conjuntos de amostras correspondentes em sete ensaios por conjunto. Nenhuma das amostras havia sido usada durante as sessões iniciais de treinamento.
O estudo foi publicado na revista científica The Veterinary Journal.
Usamos olfatômetros, que são de alta tecnologia — eles têm um pequeno feixe de laser infravermelho na parte superior. Quando o feixe de luz for interrompido, o sistema registrará que o cão está examinando a amostra. E se ele permanecer no feixe por tempo suficiente — e se for a amostra correta — ele ouvirá um sinal sonoro e saberá que deve vir buscar sua recompensa
Resultados
Em média, em todos os testes, os cães identificaram corretamente as amostras de hemangiossarcoma em 70% das vezes, uma taxa que, de acordo com a Dra. Clara Wilson, está dentro da faixa observada em estudos com cães que detectam câncer em humanos, uma abordagem mais consolidada.
Os resultados indicam que o hemangiossarcoma possui um perfil olfativo detectável, que era o objetivo deste estudo de prova de conceito. Agora os esforços podem ser direcionados para o desenvolvimento de um dispositivo ou um teste para detectá-lo.
Os resultados são encorajadores, pois a detecção precoce pode levar a melhores desfechos.
A Dra. Clara Wilson sugeriu que o teste de odor poderia ser usado como um exame anual de triagem: “Ele poderia sinalizar um problema potencial para que o tutor pudesse realizar exames adicionais, como ultrassom ou tomografia computadorizada. Isso poderia realmente ajudar a detectar a doença precocemente nesses cães, em que geralmente a descobrimos tarde demais”.
Segundo a professora Cynthia M. Otto, se a doença fosse detectada precocemente, “poderíamos impedir a disseminação da doença, porque é a disseminação que é realmente devastadora”. Ela observou que os veterinários poderiam então considerar a remoção do baço antes que ele se rompa ou iniciar a quimioterapia mais cedo para salvar vidas.
A detecção precoce do hemangiossarcoma também permitiria que os pesquisadores testassem diferentes terapias em estudos clínicos, diz Wilson. “Esta é uma semente inicial de esperança”, concluiu a Dra. Clara Wilson.
Isso é muito encorajador. Detectar câncer [pelo olfato] é incrivelmente difícil — é um odor muito complexo
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica The Veterinary Journal (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página do portal Penn Today, da Universidade da Pensilvânia (em inglês).
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