Com publicação científica

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Por Redação SciAdvances
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Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP), o trauma necessário para provocar uma fratura em crianças nem sempre é violento: apenas um tropeço seguido de queda ao chão pode ser suficiente. Ainda segundo a SBOP, a maioria das fraturas está relacionada a quedas no ambiente doméstico, afetando em maior proporção os membros superiores.
A sociedade de especialistas destaca que, dependendo da condição específica, o tratamento pode ser feito com imobilização por tempo adequado, redução – quando o ortopedista aplica uma manobra rápida para ‘recolocar o osso no lugar’ – ou cirurgia.
Fraturas no pulso estão entre as lesões mais comuns em crianças, representando cerca de metade das fraturas infantis. Fraturas na porção distal do osso rádio (próximas ao punho) com deslocamento grave, em que os ossos saem do lugar, são frequentemente tratadas com cirurgia.
Mas, devido à grande capacidade de remodelação óssea em crianças, pesquisadores têm questionado se o simples uso de gesso alcançaria o mesmo resultado em longo prazo sem expor a criança aos riscos de uma cirurgia.
Um novo estudo clínico multicêntrico e randomizado realizado no Reino Unido, liderado por pesquisadores da Universidade de Liverpool e da Universidade de Oxford, avaliou comparativamente a evolução de crianças com fraturas distais do osso rádio com deslocamento grave, tratadas com cirurgia ou apenas com imobilização.
O estudo chamado CRAFFT (Children’s Radious Acute Fracture Fixation Trial), recrutou 750 crianças de 4 a 10 anos de idade em 49 hospitais do Reino Unido, que foram aleatoriamente divididas em dois tratamentos: fixação cirúrgica ou imobilização com gesso.
A avaliação da recuperação das crianças ocorreu de acordo com um protocolo após três meses, seis meses e um ano de tratamento.
O estudo foi concebido com a participação das famílias, que ajudaram a definir qual nível de melhora seria significativo o suficiente para justificar a cirurgia. A diferença observada entre os tratamentos ficou abaixo desse limiar.
Após três meses, as crianças que fizeram a cirurgia tiveram uma melhora funcional do braço ligeiramente superior ao grupo que foi apenas imobilizado, mas após seis meses e um ano não houve diferença na recuperação, sugerindo que as vantagens iniciais da cirurgia não persistem em longo prazo.
Nas crianças do grupo de cirurgia, além do custo significativamente mais alto do procedimento, houve também a exposição a riscos: algumas crianças do grupo de cirurgia tiveram complicações pós-cirúrgicas como infecções, cicatrizes e irritação nervosa.
Segundo o Dr. Daniel Perry, cirurgião ortopédico pediátrico, professor da Universidade de Liverpool e primeiro autor do estudo, a recuperação das crianças do grupo de imobilização foi surpreendente.
Os resultados, publicados na revista científica The Lancet, sugerem que, em casos de fraturas distais do rádio em crianças – mesmo sendo fraturas com deslocamentos graves – a abordagem não cirúrgica, com imobilização inicial com gesso, pode proporcionar uma recuperação semelhante à intervenção cirúrgica em longo prazo.
De acordo com os pesquisadores, além da recuperação efetiva das crianças, o tratamento com imobilização evita riscos cirúrgicos, reduz os custos envolvidos e não sobrecarrega potencialmente os sistemas de saúde.
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