Com publicação científica
Organoides e órgão-em-chip
Modelo de ‘câncer-em-chip’ pode ajudar a desenvolver tratamentos personalizados contra o câncer colorretal
Cientistas apresentaram tecnologia que incorpora organoides em sistemas microfluídicos, o que viabiliza vários tipos de testes pré-clínicos

JitendraJadhav via Shutterstock
O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso, podendo afetar o cólon ou o reto
Por Redação SciAdvances
22 de outubro de 2026, 15:11
Fonte
Áreas
Bioengenharia, Biofísica, Biomedicina, Desenvolvimento de Fármacos, Engenharia Biomédica, Entrega de Medicamentos, Farmacologia, Farmácia Oncológica, Fisiologia, Impressão 3D, Medicina, Medicina de Precisão, Oncologia, Patologia, Quimioterapia, Toxicologia, Urologia
Compartilhar
Organoides e órgão-em-chip
Organoides são produtos de engenharia de tecidos, criados a partir do cultivo de células humanas – saudáveis ou com doenças – e que podem reproduzir, em escala e complexidade reduzida, algumas das características dos tecidos reais.
O desenvolvimento de modelos que combinam células humanas, organoides e sistemas microfluídicos constitui uma das linhas de pesquisa que buscam aprimorar a capacidade dos ensaios pré-clínicos de reproduzir características específicas dos tecidos humanos.
Avanço: organoides em sistemas microfluídicos podem ajudar em vários tipos de pesquisa pré-clínica, como no desenvolvimento e testes de fármacos
Recentemente, cientistas da Universidade Politécnica de Madri e do Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital Clínico San Carlos, na Espanha, criaram um novo modelo in vitro para estudar a resposta de tecidos tumorais a diferentes tratamentos farmacológicos em um ambiente tridimensional e dinâmico ainda em laboratório.
O novo modelo, que tem foco no câncer colorretal, combina organoides obtidos a partir de biópsias de pacientes com a tecnologia microfluídica de órgão-em-chip. A nova tecnologia permite reproduzir como um tumor se comporta, permitindo testar novos tratamentos e observar a resposta das células cancerígenas, além de controlar dinamicamente o ambiente no qual o tecido se desenvolve.
No estudo, publicado na revista científica International Journal of Molecular Sciences, os cientistas isolaram e cultivaram organoides provenientes de biópsias tumorais e de tecido saudável próximo ao tumor de pacientes com câncer colorretal, que foram então incorporados a um dispositivo microfluídico. No dispositivo, os organoides puderam ser alimentados com um fluxo contínuo de nutrientes e submetidos a ensaios farmacológicos.
Com a tecnologia, os pesquisadores conseguem observar como o tecido responde a diferentes administrações de medicamentos e analisar as alterações que ocorrem em nível celular e morfológico.
Nova tecnologia teve sucesso em testes de laboratório
Os cientistas destacaram que os organoides cultivados nos microchips mantiveram viabilidade e morfologia comparáveis às observadas em culturas convencionais em placas, o que mostra a estabilidade do sistema desenvolvido e sua viabilidade como modelo para estudar o comportamento dos tumores.
Com o novo modelo, foi analisada a resposta dos modelos a uma combinação de 5-fluorouracil (5-FU) e oxaliplatina, dois fármacos comuns no tratamento do câncer colorretal.
Sem tratamento, os organoides tumorais apresentaram crescimento ativo, enquanto que em baixas concentrações dos fármacos, houve uma inibição do crescimento, com a preservação da estrutura do tecido saudável.
Por outro lado, a exposição a concentrações mais elevadas dos fármacos provocou uma citotoxicidade acentuada e a perda da arquitetura dos organoides.
Com o desenvolvimento da nova tecnologia, os centros de pesquisa que lideraram o estudo criaram uma ‘Unidade de Tecnologias em Organoides e Modelos Órgão-em-Chip’, para prestar serviços especializados no desenvolvimento, estabelecimento, cultivo, manutenção, caracterização e análise funcional de modelos de organoides e culturas tridimensionais (3D) aplicados à biomedicina translacional e à medicina personalizada.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Últimos avanços

Photoroyalty via Shutterstock

Steve Allen via Shutterstock

Reprodução, Universidade Johns Hopkins (com adaptação)
Publicidade
Publicidade
Outros avanços

Universidade Pompeu Fabra

Universidade Johns Hopkins


