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Renderização 3D da bactéria Mycobacterium tuberculosis
Por Redação SciAdvances
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A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis e afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos e sistemas do corpo.
Embora existam testes moleculares rápidos, a cultura de amostras clínicas bacterianas continua sendo o exame padrão-ouro para diagnosticar a doença, acompanhar seu tratamento, confirmar a cura e identificar a resistência da bactéria aos medicamentos.
No entanto, o método tradicional demanda equipamentos e infraestrutura de alto custo, restringindo o exame a grandes centros urbanos.
Avanço: nova tecnologia facilita cultivo de amostras para diagnóstico e acompanhamento da tuberculose
Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) simplifica o cultivo de amostras para diagnóstico e acompanhamento da tuberculose, dispensando equipamentos de alto custo.
O novo método, chamado RRTB, combina o uso do swab com o cultivo no meio Löwenstein-Jensen, a opção de menor custo e mais usada no Brasil.
O diferencial da nova tecnologia é sua nova solução neutralizadora à base de ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio, aplicada entre a etapa de descontaminação e a semeadura no meio de cultura. O uso de um meio de cultura com pH mais adequado ao crescimento da Mycobacterium tuberculosis viabilizou o meio Löwenstein-Jensen.
Na prática, a inovação permite que o exame seja adotado por laboratórios de pequeno porte, unidades de saúde rurais e regiões com menos recursos. Além do escarro, a técnica também permite analisar fluidos corporais estéreis.
Testes mostraram altas taxas de sensibilidade e especificidade
Um estudo-piloto com 77 amostras comparou o novo método a métodos tradicionais (método de Petroff e método de Ogawa-Kudoh), e obteve altas taxas de sensibilidade e especificidade. Mas o principal avanço relatado foi a redução na taxa de contaminação do cultivo: apenas 1,30%, contra 2,60% e 6,50% dos métodos convencionais.
Em seguida, o teste foi validado em sete laboratórios de referência de Minas Gerais. Foram analisados 593 pares de amostras que confirmaram a equivalência diagnóstica e a alta confiabilidade do método RRTB em comparação com o método Ogawa-Kudoh.
Então, os pesquisadores ampliaram a aplicação da tecnologia para o diagnóstico da tuberculose extrapulmonar, tuberculose zoonótica causada pela bactéria Mycobacterium bovis e para a detecção do agente em amostras clínicas de animais e de alimentos.
Esses resultados elevaram a maturidade tecnológica do RRTB para o nível 8 da escala TRL/MRL, que corresponde a um sistema validado e já incorporado à rotina laboratorial. O método recebeu recentemente a carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Agora, o Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF busca empresas interessadas em licenciar a tecnologia e viabilizar sua produção e distribuição. Por enquanto, o método está restrito a laboratórios de pesquisa e validação.
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