Com publicação científica

Andranik Hakobyan via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
Para quem já teve catapora, o vírus varicela-zóster permanece latente no sistema nervoso por décadas e pode ser reativado posteriormente na forma de herpes-zóster, causando erupções cutâneas dolorosas.
Um estudo publicado em 2024 na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy já tinha mostrado que pessoas que desenvolvem herpes-zóster correm um risco cerca de 20% maior de declínio cognitivo, incluindo demência.
Considerando essa associação, uma questão que tem sido motivo de pesquisa nos últimos anos é a influência da vacina contra o herpes-zóster sobre a redução do risco de demência em pessoas idosas.
Um novo estudo, publicado na revista científica Annals of Internal Medicine, avançou nas evidências sobre o efeito de vacina recombinante contra o herpes-zóster sobre o risco de demência em pessoas idosas.
O estudo contou com financiamento da GlaxoSmithKline, que é fabricante de vacina recombinante contra o herpes-zoster, e foi liderado por pesquisadores da Universidade Brown, nos EUA.
O estudo de coorte longitudinal usou emulação de ensaio-alvo – que simula um ensaio randomizado utilizando dados de saúde reais – e uma abordagem chamada ‘clonagem, censura e ponderação’, considerando dados de prontuários eletrônicos de saúde de mais de 500.000 pessoas em instituições de longa permanência nos EUA, com idade média de 79 anos, que foram acompanhadas por até 4 anos. Apenas cerca de 8.000 das mais de 500.000 pessoas incluídas no estudo optaram por tomar a vacina contra o herpes-zoster.
O Dr. Daniel Harris, professor de Epidemiologia na Universidade de Delaware e coautor do estudo, destacou que, embora o número final de pessoas vacinadas tenha sido relativamente pequeno em relação ao total de participantes, o número ainda é maior do que o observado na maioria dos estudos clínicos.
O estudo mostrou que idosos que receberam pelo menos uma dose da vacina recombinante contra o herpes-zoster apresentaram um risco até 24% menor de desenvolver demência ao longo de quatro anos, em comparação com aqueles não vacinados.
De acordo com o professor Daniel Harris, há poucas evidências provenientes de estudos clínicos randomizados sobre os possíveis efeitos da vacina contra o herpes-zoster sobre o risco de demência. Então, os pesquisadores usaram ferramentas metodológicas e analíticas para gerar evidências a partir de dados reais.
Mesmo usando um método complementar para reduzir a influência de vieses na análise, a vacinação continuou associada a um risco 12% menor de demência ao longo de quatro anos.
Os resultados da pesquisa são compatíveis com estudos anteriores que também associaram a vacinação contra o herpes-zóster a um menor risco de demência.
O professor Daniel Harris destacou que os efeitos colaterais da vacina são mínimos e, além da redução do risco de demência, a vacina também pode evitar complicações graves, como dor neuropática persistente e perda de visão.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Últimos avanços

Reprodução, Instituto de Física II da Universidade de Stuttgart

Studio Romantic vis Shutterstock
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Universidade Federal de Minas Gerais

University College London





