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Caneta de tirzepatida (Mounjaro®)
Por Redação SciAdvances
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O peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) é um hormônio peptídico natural produzido nas células L endócrinas do epitélio intestinal que ajuda a controlar a fome, a saciedade e a glicemia.
Medicamentos que imitam o GLP-1- os chamados agonistas de GLP-1, como a semaglutida, liraglutida, dulaglutida e a tirzepatida – reproduzem os efeitos do GLP-1 e, além de permitirem o controle da glicemia em pacientes diabéticos, também contribuem para reduzir a obesidade, que é um grande problema de saúde pública.
No caso da tirzepatida (Mounjaro®), o medicamento também ativa os receptores do polipeptídio insulinotrópico dependente de glicose (GIP), sendo classificado como um agonista dual GIP/GLP-1.
Além do controle da glicemia e da perda de peso, estudos também têm mostrado efeitos positivos dos agonistas de GLP-1 na saúde cardiovascular.
Um estudo recente liderado por pesquisadores da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, e da Escola Médica de Harvard, nos EUA, compararam resultados de saúde do coração entre pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade tratadas com tirzepatida ou com medicamento convencional para diabetes.
Os pesquisadores realizaram um estudo de coorte de base populacional, considerando dados anonimizados provenientes de duas bases de dados nacionais dos EUA abrangendo o período de maio de 2022 a maio de 2025.
Foram considerados dados de mais de 52 mil participantes com idade maior ou igual a 40 anos, com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, que tinham iniciado tratamento com tirzepatida (mais de 35 mil participantes) ou sitagliptina (mais de 17 mil participantes) — um comparador neutro em relação aos desfechos cardiovasculares que serviu como substituto do placebo.
O Dr. Nils Krüger, médico do Hospital Universitário da TUM e primeiro autor do estudo, destacou que estudos que utilizam dados clínicos de rotina para comparar os efeitos de medicamentos são um complemento importante aos estudos clínicos tradicionais, em especial no que diz respeito aos agonistas de GLP-1.
De acordo com o médico, como esses medicamentos estão no mercado há relativamente pouco tempo, existem poucos estudos em larga escala que analisem toda a gama de efeitos associados a essa classe de fármacos.
Após análise dos dados, os pesquisadores relataram que pessoas com diabetes tipo 2 e obesidade que se tratam com tirzepatida apresentaram um risco reduzido de ataques cardíacos em comparação com pessoas que se tratam com sitagliptina.
Outro resultado importante diz respeito às infecções. Um número significativamente menor de pacientes tratados com tirzepatida apresentou infecções que exigiram internação hospitalar: o risco foi reduzido em 36%. Já o risco de morte relacionada a infecções foi reduzido em até 60%.
De acordo com o Dr. Nils Krüger, as razões para essa associação entre a tirzepatida e a redução de infecções graves ainda não são totalmente compreendidas e precisam ser mais investigadas.
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