Com publicação científica
Complicações do diabetes
Pessoas com diabetes podem ter perda auditiva significativa
Pesquisadores defendem que exames auditivos passem a fazer parte da rotina de cuidados com o diabetes

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Por Redação SciAdvances
7 de julho de 2026, 07:05
Fonte
Áreas
Atenção Primária, Endocrinologia, Fonoaudiologia, Medicina, Otorrinolaringologia, Saúde do Idoso
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Complicações do diabetes
A ciência sabe que pessoas com diabetes há muitos anos podem ter várias complicações crônicas.
Essas complicações, bem reconhecidas e que estão no radar de médicos e pacientes, podem se manifestar tanto na forma de danos microvasculares quanto macrovasculares.
Então, em geral, o acompanhamento de pacientes diabéticos inclui preocupações com lesões na retina (retinopatia), nos rins (nefropatia), nos nervos (neuropatia), doenças cardíacas, Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença arterial periférica e problemas na circulação periférica.
Mas, além destas possibilidades bem reconhecidas, existe uma outra possibilidade que pode passar desapercebida: o comprometimento da função auditiva, que também pode influenciar significativamente a qualidade de vida.
Avanço: revisão sistemática mostrou prevalência importante da perda auditiva em pessoas diabéticas
Recentemente, um estudo de revisão sistemática liderado por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, analisou 29 pesquisas envolvendo mais de 17.000 pessoas em todo o mundo sobre a possibilidade de perda auditiva em adultos, principalmente com diabetes tipo 2 e pré-diabetes.
A análise dos dados mostrou que um em cada quatro adultos diabéticos apresentou perda auditiva clinicamente significativa, particularmente entre indivíduos mais jovens e populações com recursos limitados.
Os pesquisadores constataram que os pacientes reconheciam e até monitoravam as possibilidades das complicações crônicas tradicionais do diabetes, mas a possibilidade de deficiência auditiva mostrou-se altamente ignorada.
A Dra. Mehwish Nisar, pesquisadora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Queensland e autora principal do estudo, afirmou que a maioria das pessoas nem sabia da existência de uma ligação entre a perda auditiva e o diabetes, e que a perda auditiva grave pode ser considerada uma ‘epidemia oculta’.
O estudo foi publicado na revista científica Diabetes Metabolism Research and Reviews.
Progressão da perda auditiva pode limitar a qualidade de vida e a identificação precoce pode ser feita com exames incorporados à rotina
A Dra. Mehwish Nisar afirmou que a identificação precoce da perda auditiva permite o uso oportuno de aparelhos auditivos para reduzir o isolamento social, auxiliar na comunicação e melhorar a qualidade de vida, além de reforçar a importância do controle da glicose para retardar uma deterioração maior.
A pesquisadora afirmou que a perda auditiva progride gradualmente e que os pacientes muitas vezes não percebem o problema até que ele esteja em estágio mais avançado. Apesar disso, a perda auditiva pode ser detectada por meio de uma triagem audiométrica simples e de baixo custo, abrindo caminho para o diagnóstico e tratamento precoces.
Na publicação científica, os pesquisadores destacaram que mesmo pessoas que convivem com o diabetes há menos de 10 anos apresentam uma probabilidade mais de duas vezes maior de desenvolver perda auditiva significativa em comparação com pessoas não diabéticas.
Os pesquisadores defendem que os exames auditivos se tornem parte padrão do acompanhamento do diabetes e que a perda auditiva seja reconhecida como uma complicação significativa da doença. Isso poderia melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas.
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