Com publicação científica

ShotPrime Studio via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A ciência sabe que pessoas com diabetes há muitos anos podem ter várias complicações crônicas.
Essas complicações, bem reconhecidas e que estão no radar de médicos e pacientes, podem se manifestar tanto na forma de danos microvasculares quanto macrovasculares.
Então, em geral, o acompanhamento de pacientes diabéticos inclui preocupações com lesões na retina (retinopatia), nos rins (nefropatia), nos nervos (neuropatia), doenças cardíacas, Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença arterial periférica e problemas na circulação periférica.
Mas, além destas possibilidades bem reconhecidas, existe uma outra possibilidade que pode passar desapercebida: o comprometimento da função auditiva, que também pode influenciar significativamente a qualidade de vida.
Recentemente, um estudo de revisão sistemática liderado por pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, analisou 29 pesquisas envolvendo mais de 17.000 pessoas em todo o mundo sobre a possibilidade de perda auditiva em adultos, principalmente com diabetes tipo 2 e pré-diabetes.
A análise dos dados mostrou que um em cada quatro adultos diabéticos apresentou perda auditiva clinicamente significativa, particularmente entre indivíduos mais jovens e populações com recursos limitados.
Os pesquisadores constataram que os pacientes reconheciam e até monitoravam as possibilidades das complicações crônicas tradicionais do diabetes, mas a possibilidade de deficiência auditiva mostrou-se altamente ignorada.
A Dra. Mehwish Nisar, pesquisadora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Queensland e autora principal do estudo, afirmou que a maioria das pessoas nem sabia da existência de uma ligação entre a perda auditiva e o diabetes, e que a perda auditiva grave pode ser considerada uma ‘epidemia oculta’.
O estudo foi publicado na revista científica Diabetes Metabolism Research and Reviews.
A Dra. Mehwish Nisar afirmou que a identificação precoce da perda auditiva permite o uso oportuno de aparelhos auditivos para reduzir o isolamento social, auxiliar na comunicação e melhorar a qualidade de vida, além de reforçar a importância do controle da glicose para retardar uma deterioração maior.
A pesquisadora afirmou que a perda auditiva progride gradualmente e que os pacientes muitas vezes não percebem o problema até que ele esteja em estágio mais avançado. Apesar disso, a perda auditiva pode ser detectada por meio de uma triagem audiométrica simples e de baixo custo, abrindo caminho para o diagnóstico e tratamento precoces.
Na publicação científica, os pesquisadores destacaram que mesmo pessoas que convivem com o diabetes há menos de 10 anos apresentam uma probabilidade mais de duas vezes maior de desenvolver perda auditiva significativa em comparação com pessoas não diabéticas.
Os pesquisadores defendem que os exames auditivos se tornem parte padrão do acompanhamento do diabetes e que a perda auditiva seja reconhecida como uma complicação significativa da doença. Isso poderia melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Universidade do Sul da Califórnia

Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill

