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Por Redação SciAdvances
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Pessoas com asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), além dos sintomas diários, frequentemente sofrem uma piora repentina da condição, na forma de crise respiratória, quando pode ocorrer falta de ar, tosse e produção de muco.
Crises de asma podem levar a internações hospitalares, declínio acelerado da função pulmonar e redução da qualidade de vida.
A identificação precoce das crises poderia permitir ações mais efetivas e reduzir os efeitos desses eventos.
Avanço: aplicativo consegue detectar início de crises respiratórias precocemente
Uma pesquisa liderada pelo Dr. Sami Simons, professor de Pneumologia da Universidade Maastricht, nos Países Baixos, mostrou que é possível detectar alterações na voz no início de uma crise respiratória em pessoas com asma ou DPOC através de um aplicativo de smartphone.
O aplicativo (TACTICAS) está sendo desenvolvido em colaboração com pacientes e com a parceira tecnológica da empresa Zana Technologies, com cofinanciamento do Lung Fund e das indústrias farmacêuticas Boehringer Ingelheim e AstraZeneca.
Para validar o aplicativo, os pesquisadores gravaram as vozes de 73 participantes com asma ou DPOC em casa durante três meses, idealmente por três vezes ao dia. Os participantes realizaram breves exercícios de fala diariamente, e também registraram seus sintomas.
O Dr. Sami Simons explicou que, durante uma crise respiratória, o fluxo de ar necessário para falar é reduzido e a voz soa menos estável, rouca ou com mais sinais de falta de ar. As pessoas fazem mais pausas ao falar e parecem estar mais ofegantes. O pesquisador destacou que o aplicativo consegue perceber essas alterações em um estágio inicial.
Resultados mostraram que o aplicativo reconhece início de crises
O estudo teve boa aderência dos participantes: foi registrada pelo menos uma gravação de voz em 83% dos dias.
Ao todo, foram registradas 38 crises respiratórias. Os pesquisadores observaram que a voz sofre alterações durante uma crise respiratória: características vocais como tom, volume e número de pausas durante a fala mudam assim que os sintomas começam a piorar.
Com isso, o estudo alcançou um resultado inédito: os pesquisadores conseguiram monitorar a progressão de uma crise pulmonar diariamente, pela primeira vez.
De acordo com o Dr. Sami Simons, se mais pesquisas de acompanhamento confirmarem que alterações na voz podem prever com segurança as crises pulmonares, os pacientes poderão ser alertados mais cedo e iniciar o tratamento mais rapidamente, o que pode prevenir internações hospitalares e melhorar a qualidade de vida.
Agora, os pesquisadores estão trabalhando na detecção das crises ainda mais cedo: eles acham que certas características vocais podem sofrer alterações vários dias antes do surgimento dos sintomas.
Pelo fato de ainda estar em desenvolvimento, a tecnologia ainda é utilizada apenas em ambiente de pesquisa.
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