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Por Redação SciAdvances
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O início da gravidez é uma fase de transição marcada por alterações hormonais e neuroendócrinas que auxiliam no desenvolvimento fetal e preparam o organismo para a gestação.
A depressão durante a gravidez afeta entre 10% e 20% das mulheres grávidas em todo o mundo e pode levar a alterações importantes na saúde para mães e filhos, incluindo depressão pós-parto, parto prematuro e desafios de desenvolvimento na infância.
Estudos científicos anteriores sugerem que a poluição do ar pode desencadear inflamação, estresse oxidativo e a ativação do sistema de resposta ao estresse do organismo, o que pode levar à depressão e a outros transtornos de humor.
Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia e da Universidade Washington em St. Louis, nos EUA, identificou uma relação entre a exposição a poluentes atmosféricos no período de pré-concepção e no início da gravidez e sintomas depressivos persistentes ao longo da gestação.
Os pesquisadores analisaram dados da coorte MADRES, um estudo de longa duração sobre riscos maternos e de desenvolvimento decorrentes de estressores ambientais e sociais, que envolveu 542 mulheres hispânicas e latinas de baixa renda em Los Angeles, EUA.
As participantes passaram por avaliações de sintomas de depressão em cada trimestre da gravidez, permitindo aos pesquisadores monitorar a evolução dos sintomas ao longo do tempo. Os pesquisadores queriam avaliar se os sintomas depressivos variavam ao longo da gravidez e se a exposição diária à poluição do ar antes da concepção e no início da gestação teria influência sobre esses padrões.
O estudo foi publicado na revista Environmental Health.
Ao analisar os dados, os pesquisadores descobriram que níveis mais elevados de poluição do ar antes e nas primeiras seis semanas de gestação afetaram os sintomas depressivos: 7,4% das participantes apresentaram sintomas persistentemente elevados, com um pico por volta da metade da gravidez.
Sintomas depressivos clinicamente relevantes foram mais comuns durante o primeiro trimestre. Mulheres expostas a níveis mais elevados de diversos poluentes atmosféricos no início da gravidez apresentaram maior probabilidade de ter sintomas depressivos relevantes ao longo da gestação do que aquelas com níveis de exposição mais baixos.
O principal poluente foi o dióxido de nitrogênio (NO2), associado ao tráfego de veículos. Participantes com maior exposição ao NO2 durante as primeiras seis semanas de gravidez tiveram quase 4 vezes mais chances de ter sintomas mais fortes de depressão.
Os resultados sugerem que as exposições ambientais podem interagir com fatores sociais e estruturais que influenciam a saúde mental materna. Os pesquisadores observaram que o acesso a cuidados de saúde e as desigualdades sociais mais amplas provavelmente desempenham papéis importantes, juntamente com as influências ambientais.
A Dra. Theresa Bastain, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade Washington em St. Louis e autora sênior do estudo, destacou a importância de compreender como os poluentes ambientais e as condições sociais podem afetar a gravidez para identificar populações em maior risco e poder desenvolver estratégias para gestações mais saudáveis.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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