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Bactérias gram-negativas Klebsiella
Por Redação SciAdvances
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Antimicrobianos, ou seja, antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários, são medicamentos utilizados para prevenir e tratar doenças infecciosas em humanos, animais e plantas.
A resistência aos antimicrobianos ocorre quando os microrganismos deixam de responder aos medicamentos antimicrobianos. Nesse caso, os medicamentos tornam-se ineficazes e as infecções passam a ser difíceis ou impossíveis de tratar, aumentando o risco de propagação de doenças, quadros clínicos graves, incapacidade e morte.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a resistência aos antimicrobianos uma das dez maiores ameaças globais à saúde pública global.
Estudos recentes mostraram que o número de mortes anuais causadas direta e indiretamente pela resistência antimicrobiana passa dos 5 milhões, mas a OMS estima que, até 2050, a resistência aos antimicrobianos possa causar dezenas de milhões de mortes anuais.
Para enfrentar o desafio de tratar infecções resistentes a antimicrobianos, pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá; da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, e da Universidade de Hong Kong, na China, propuseram uma nova estratégia.
Em um estudo publicado na revista científica Cell Biomaterials, foram descritos os resultados de testes pré-clínicos de um tratamento à base de um antibiótico peptídico sintético derivado da catelicidina humana (LL-37), um antibiótico natural do sistema imunológico.
Os pesquisadores já tinham descoberto recentemente uma pequena subunidade da LL-37, conhecida como GK17, que poderia eliminar bactérias e fungos.
Agora, os pesquisadores criaram uma versão sintética chamada D-GK17. Estável e não tóxico para humanos, o novo peptídeo foi sintetizado para atacar a superfície de células bacterianas ou fúngicas que formam biofilmes, que são revestimentos viscosos frequentemente impenetráveis em tratamentos com antibióticos atuais.
Para testar o novo peptídeo, os pesquisadores usaram modelos de infecção cutânea onde poderia ser observada a efetividade do novo composto no combate a infecções bacterianas, na redução da inflamação e na cicatrização de feridas.
Com os modelos, os pesquisadores testaram o peptídeo D-GK17 contra biofilmes formados por patógenos críticos, incluindo bactérias e fungos.
Segundo o Dr. Prasanna Neelakantan, professor da Faculdade de Medicina e Odontologia da Universidade de Alberta, o novo peptídeo sintético destruiu biofilmes bacterianos responsáveis por até 75% de infecções com risco de morte.
De acordo com o professor, quase nenhum antibiótico funciona contra os biofilmes desses organismos; mas o D-GK17 foi capaz de matar as bactérias e também erradicar os biofilmes, tanto por meio de aplicação tópica quanto por injeção no organismo.
O professor explicou que o peptídeo atua atacando as membranas das células patogênicas e criando poros que levam à falência celular. E esse processo funcionou tanto para bactérias quanto para fungos, o que deixou os pesquisadores bem animados: infecções fúngicas podem ser bem difíceis de serem tratadas com os atuais medicamentos.
Agora, os pesquisadores estão ansiosos para iniciar estudos clínicos em humanos.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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