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Por Redação SciAdvances
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Desde 1996, as terapias antirretrovirais impedem que o vírus HIV infecte novas células do sistema imunológico.
Mesmo que não sejam capazes de impedir que células previamente infectadas liberem as partículas virais do HIV, os medicamentos antirretrovirais permitiram que a maioria das pessoas infectadas com o vírus tenham vidas longas e saudáveis, com a carga viral em níveis clinicamente indetectáveis no sangue.
Mas, mesmo entre algumas pessoas que seguem corretamente a terapia antirretroviral e não apresentam sintomas, ainda pode haver traços detectáveis do vírus no sangue. Esses casos são conhecidos como ‘viremia de baixo nível’, e podem despertar preocupação e insegurança.
Um estudo liderado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, sugere que a maioria dos casos de pacientes que seguem a terapia antirretroviral contra o HIV e apresentam viremia de baixo nível é explicada por cópias defeituosas e não infecciosas do vírus HIV.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores desenvolveram e utilizaram um novo teste que utiliza tecnologia avançada para identificar cargas virais detectáveis que são devidas a cópias defeituosas. O teste pode ser amplamente utilizado em clínicas de HIV e em ambientes de pesquisa.
Então, os pesquisadores examinaram amostras de sangue de 52 pessoas vivendo com HIV que apresentavam cargas virais detectáveis, apesar de estarem em terapia antirretroviral de longo prazo.
As amostras de sangue, coletadas entre 2021 e 2025, foram analisadas em 32 pessoas e comparadas com amostras de outras 20 pessoas. A maioria dos participantes eram homens brancos, com idades entre 58 e 68 anos, que seguiam tratamento nos EUA, Canadá e Dinamarca.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications.
Os pesquisadores descobriram que cerca de 95% das formas detectáveis do vírus eram devidas a cópias defeituosas, e a maioria dos defeitos era causada por mutações ou deleções na região 5′-líder do RNA do HIV-1. Os cientistas sabem que essa região coordena a produção de cópias do vírus, mas, neste caso, os defeitos impediram a geração de vírus infecciosos.
De acordo com o Dr. Francesco Simonetti, professor da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins e autor sênior do estudo, os resultados mostram evidências de que os médicos agora podem usar o novo teste e estudar o vírus no plasma sanguíneo de pessoas com viremia de baixo nível para confirmar se os níveis clinicamente detectáveis são devidos às cópias defeituosas e não infecciosas ou não.
Segundo os cientistas, as descobertas podem trazer alívio para muitas pessoas que vivem com HIV e que temem uma recidiva viral ou que estão preocupadas em transmitir o vírus para seus parceiros, apesar de estarem em tratamento eficaz.
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