Com publicação científica

Dr. Jonatan Fernstad
Câmera do smartphone é usada para medir pequenas alterações no fluxo sanguíneo na ponta do dedo
Por Redação SciAdvances
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A fibrilação atrial é um tipo comum de arritmia cardíaca sustentada que faz os batimentos cardíacos ocorrerem de forma irregular, rápida ou caótica, provocando alteração no ritmo ventricular e eventual bombeamento insuficiente do sangue.
Embora a condição possa permanecer assintomática, geralmente causa taquicardia, falta de ar, fraqueza, tontura, sensação de desmaio ou dor no peito.
Quando a medicação não consegue controlar os sintomas da fibrilação atrial, a cardioversão elétrica pode ser usada para restaurar o ritmo cardíaco normal. Nesse caso, é aplicado um impulso elétrico controlado ao coração enquanto o paciente está sob anestesia geral ou sedação profunda.
Porém, mesmo após o agendamento de um procedimento de cardioversão, muitos pacientes retornam espontaneamente ao ritmo cardíaco normal. Se isso não for detectado até o dia do procedimento, a cardioversão precisa ser cancelada em cima da hora e os recursos alocados para o procedimento ficam sem uso.
Um estudo clínico randomizado realizado entre 2022 e 2025 no Hospital Danderyd, em Estocolmo, Suécia, teve como participantes 206 pacientes com fibrilação atrial agendados para cardioversão.
Os pacientes foram randomizados para monitoramento ativo do ritmo cardíaco com um smartphone em casa (grupo estudo) ou sem monitoramento (grupo controle), a fim de verificar se o monitoramento precoce poderia reduzir cancelamentos de última hora do procedimento de cardioversão.
O monitoramento cardíaco por smartphone utilizou uma tecnologia chamada CORAI, que usa a câmera do smartphone para medir pequenas alterações no fluxo sanguíneo na ponta do dedo, com base no conceito de fotopletismografia. A partir desses registros, um algoritmo pode avaliar o ritmo cardíaco com alta precisão.
Pacientes do ‘grupo estudo’ registraram seu ritmo cardíaco duas vezes ao dia usando um smartphone, durante uma a duas semanas antes do procedimento agendado de cardioversão.
Se os registros mostrassem que o paciente havia retornado espontaneamente ao ritmo cardíaco normal, ele era contatado, o ritmo era confirmado com um ECG padrão e a cardioversão podia ser cancelada com antecedência. Já para o grupo controle foi utilizado o atendimento padrão.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska e do Hospital Dandery, foi publicado na revista científica JAMA Cardiology.
Os pesquisadores relataram que os cancelamentos tardios causados pelo retorno espontâneo ao ritmo cardíaco normal foi de apenas 1,0% dos pacientes no grupo estudo, em comparação com 18,2% de pacientes no grupo controle, o que corresponde a uma redução do risco relativo de 94,7%.
O Dr. Jonatan Fernstad, pesquisador do Hospital Danderyd e do Instituto Karolinska, líder no desenvolvimento da tecnologia e primeiro autor do artigo, destacou que os pacientes conseguiram registrar adequadamente seu ritmo cardíaco de forma independente em casa, usando apenas um smartphone.
O Dr. Johan Engdahl, professor de Cardiologia do Instituto Karolinska e autor sênior do estudo, ressaltou que a tecnologia tem o potencial de melhorar o acesso à avaliação do ritmo cardíaco de forma mais geral, o que é importante porque a fibrilação atrial não tratada aumenta os riscos de acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.
O Dr. Jonatan Fernstad é cofundador da startup Corai Medicinteknik, que vai comercializar a tecnologia.
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Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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