Com publicação científica

Divulgação, UNIFAL-MG
Nanopartículas com fagos encapsulados em interação com a bactéria Pseudomonas aeruginosa, na parte superior esquerda da imagem
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria Gram-negativa oportunista, é um dos patógenos mais relevantes no contexto das infecções hospitalares, com perfil de multirresistência a antibióticos.
A bactéria é causa frequente de pneumonia hospitalar (especialmente em UTI), infecções urinárias ligadas a cateteres, sepse e infecções de feridas cirúrgicas ou queimaduras.
A terapia com bacteriófagos (ou simplesmente ‘fagos’) tem sido considerada uma alternativa promissora para ajudar no tratamento de infecções hospitalares por Pseudomonas aeruginosa, porém a estabilidade e a eficácia dos fagos ainda são desafios.
Ao contrário dos antibióticos, os fagos geralmente atacam apenas a bactéria alvo e poupam a microbiota benéfica do paciente. Além disso, a terapia com fagos pode ser um tratamento adjuvante extremamente eficaz em conjunto com o tratamento com antibióticos. Esse cenário mostra a importância de avanços na área de liberação controlada de fagos.
Um estudo recente, publicado na revista Scientific Reports, avançou em uma nova estratégia para combater a bactéria Pseudomonas aeruginosa.
O estudo foi desenvolvido durante o doutorado de Gustavo Aparecido da Cunha no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), sob orientação de pesquisadores da UNIFAL-MG e da Universidade Ártica da Noruega (UiT). Gustavo da Cunha é o primeiro autor da publicação científica.
Os pesquisadores encapsularam fagos com nanopartículas de albumina sérica bovina, o que melhorou a ação antibacteriana e a estabilidade dos fagos. Esses resultados foram observados em ensaios in vitro – comparando fagos encapsulados e não encapsulados em culturas bacterianas e em células humanas – e também em testes in vivo em animais com infecção pulmonar aguda causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa.
Segundo o Dr. Luiz Felipe Coelho, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da UNIFAL-MG e autor sênior do estudo, as nanopartículas conseguiram proteger os fagos da degradação em altas temperaturas, o que permitiu a liberação gradual das partículas virais por 5 dias.
Para o professor Luiz Coelho, o desenvolvimento de sistemas inteligentes de liberação de fagos é uma alternativa segura, biocompatível e de baixo custo para novas terapias antimicrobianas, principalmente em um momento em que bactérias multirresistentes, como a Pseudomonas aeruginosa, são uma ameaça à eficácia de antibióticos convencionais.
O professor também destacou que as nanopartículas de albumina bovina podem ser produzidas facilmente e têm potencial para uso clínico em infecções respiratórias crônicas, principalmente em pacientes com fibrose cística ou doenças pulmonares resistentes a antibióticos.
A abordagem também abre caminho para a criação de terapias nacionais baseadas em nanotecnologia, o que fortalece a inovação científica e tecnológica no Brasil e reduz a dependência de insumos importados na área biomédica.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Instituto de Tecnologia de Massachusetts


