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Por Redação SciAdvances
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A dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica bastante comum, afetando a leitura, a ortografia e a escrita.
As abordagens tradicionais usadas em estudos sobre a dislexia, como métodos comportamentais e de neuroimagem, forneceram informações importantes, mas são limitadas em relação à capacidade de melhorar a compreensão dos mecanismos envolvidos no transtorno.
Devido às limitações éticas, é muito difícil realizar estudos clínicos que não sejam apenas observacionais. Neste sentido, o desenvolvimento de modelos de Inteligência Artificial que consigam reproduzir as principais características conhecidas do transtorno poderia agregar mais versatilidade às pesquisas e trazer novos conhecimentos.
Recentemente, pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL) modelaram a dislexia usando modelos de linguagem e visão de última geração para criar um gêmeo digital de IA do cérebro, que inclui desde a visualização das palavras até o processamento e a compreensão do contexto.
A pesquisa é fruto de quase uma década de trabalho utilizando modelos de visão e linguagem de forma independente, mas só os avanços recentes em Inteligência Artificial permitiram o desenvolvimento de modelos compostos de visão e linguagem que conseguem mimetizar a dislexia. Com estes modelos de última geração, os cientistas conseguiram um avanço significativo em relação às tentativas de modelagem anteriores.
Usando estímulos da neurociência cognitiva, os pesquisadores descobriram que partes do cérebro do gêmeo digital de IA atuam da mesma forma que um cérebro humano processa palavras escritas. Em seguida, eles modificaram o funcionamento dessas partes.
Segundo Melika Honarmand, doutoranda no Laboratório de NeuroIA da EPFL, quando foram identificadas as áreas do cérebro da IA responsáveis pela formação visual de palavras, a equipe de pesquisa ‘desativou’ essas partes para ver se o modelo possuía neurônios que formassem uma rede completa e que funcionassem da mesma forma que um cérebro humano. Então, eles descobriram que a IA tinha dificuldade para ler, mas ainda conseguia entender imagens e a linguagem em geral, como acontece com pessoas com dislexia.
A pesquisa foi apresentada na International Conference on Learning Representations 2026 e o artigo científico está disponível na plataforma de pré-impressão arXiv.
Segundo o Dr. Martin Schrimpf, professor e chefe do Laboratório de NeuroIA da EPFL, o modelo traz uma nova oportunidade para o estudo da dislexia, pois permite realizar ‘experimentos’ que eticamente seriam impossíveis em seres humanos. De acordo com o professor, o novo gêmeo digital de IA permite experimentar ‘perturbações’ específicas no modelo, viabilizando um novo leque de ‘experimentos’.
Em uma análise mais ampla, além dos resultados específicos para dislexia, a pesquisa também estabeleceu uma estrutura computacional para investigar outros distúrbios cerebrais.
Atualmente, a equipe liderada pelo professor Martin Schrimpf está investigando alucinações visuais ligadas à doença de Parkinson e, de forma mais ampla, à depressão.
O professor disse que talvez nem todos os médicos se convencerão imediatamente sobre a alternativa do uso de gêmeos digitais baseados em IA, mas, em algum momento, as evidências vão mostrar que pode ser uma ferramenta útil.
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Autores/Pesquisadores Citados
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Mais Informações
Acesse a página do Laboratório de NeuroIA da EPFL (em inglês).
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