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Preparado de fezes humanas em laboratório
Por Redação SciAdvances
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O intestino humano tem centenas de espécies de bactérias, que compõem um total estimado em cerca de 100 trilhões de microrganismos. Essa microbiota intestinal diversificada é essencial para a sobrevivência humana: produz metabólitos essenciais para o metabolismo, participa da digestão, protege contra patógenos através da barreira intestinal, modula o sistema imunológico e produz neurotransmissores, entre outras funções.
Análise genômica avançada já mostrou que o desequilíbrio da microbiota intestinal aumenta o risco de diversas doenças. Como saída para conter esse desequilíbrio, surgiu o conceito de transplante de microbiota fecal, que consiste na administração de microbiota intestinal humana saudável em pacientes que apresentam problemas de saúde relacionados à microbiota.
Tratamento com transplante de microbiota fecal
O transplante de microbiota fecal pode ser realizado por ‘via baixa’, a mais comum, onde o preparado líquido é infundido diretamente no cólon via colonoscopia ou enema; por ‘via alta’, através de sonda nasogástrica ou nasoduodenal; e, recentemente, por via oral, através de cápsulas com material fecal congelado ou liofilizado que podem ser ingeridas, de modo menos invasivo.
O tratamento com microbiota fecal é particularmente eficaz contra a infecção pela bactéria Clostridioides difficile. A bactéria está presente em quantidades muito pequenas em intestinos de indivíduos saudáveis. Geralmente, permanece inativa, mas produz toxinas e pode causar inflamação intestinal quando a microbiota intestinal é desequilibrada, por exemplo, pelo uso de antibióticos.
Em muitos destes casos, a suspensão do uso dos antibióticos leva à recuperação. Porém, existem casos com cepas altamente virulentas que não se resolvem facilmente. Nesse caso, o transplante fecal é eficaz contra essa condição, com alguns relatos indicando que cerca de 90% dos pacientes foram tratados com sucesso por meio desse método.
No entanto, ainda não estão claros para os cientistas os mecanismos envolvidos nesse processo. Embora sejam utilizadas fezes de doadores saudáveis, não há uma definição estabelecida do que sejam ‘fezes normais’.
Pesquisas na Universidade de Tóquio
No laboratório do Dr. Kosuke Fujimoto, professor da Universidade de Tóquio, no Japão, são realizadas análises genômicas de bactérias e vírus intestinais utilizando amostras fecais de pacientes antes e depois da terapia de transplante fecal, bem como de doadores.
Com as análises, os pesquisadores descobriram que não apenas a composição da microbiota intestinal após o transplante se torna semelhante à do doador, mas também os genes funcionais carregados pela microbiota intestinal se tornam semelhantes. Isso demonstra claramente a recuperação da função da microbiota intestinal.
Análise genômica de bacteriófagos
Atualmente, os pesquisadores liderados pelo professor Kosuke Fujimoto estão focados na análise genômica de vírus intestinais bacteriófagos (ou simplesmente fagos), que parasitam bactérias. A terapia com bacteriófagos tem ganhado destaque devido ao surgimento de bactérias multirresistentes que não respondem bem aos antibióticos.
Ao longo da última década, o grupo de pesquisa do professor Kosuke Fujimoto utilizou diversos métodos para realizar a análise genômica desses fagos. Uma das conquistas dos pesquisadores foi a extração de bactérias intestinais e fagos de amostras fecais de 101 indivíduos japoneses saudáveis, a realização de análises genômicas completas e a construção de um banco de dados. Segundo o Dr. Kosuke Fujimoto, isso permitiu identificar, com base apenas em dados genômicos, quais fagos podem infectar quais bactérias sem a necessidade de cultivo bacteriano.
Nos próximos estudos, os pesquisadores pretendem criar terapias inovadoras com fagos e traduzi-las em tratamentos para diversas doenças.
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Outros avanços

Universidade de Granada


