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Por Redação SciAdvances
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A impressão imunológica é um fenômeno que correlaciona a primeira exposição a um vírus (como o vírus da influenza) com o tipo de resposta do sistema imune a exposições posteriores a variantes do mesmo vírus.
Os cientistas sabem que a primeira exposição a um vírus induz uma resposta inicial de células B, incluindo a secreção de anticorpos séricos e a criação de uma reserva de células B de memória de longa duração, que podem produzir anticorpos rapidamente caso entrem em contato com o vírus novamente.
Mas esses anticorpos de memória da infecção inicial podem não ser tão eficientes contra uma nova cepa do vírus.
Compreender melhor como e por que essas ‘falhas’ no sistema imune acontecem é um dos desafios atuais em Saúde Pública.
Um novo estudo colaborativo, publicado na revista científica Nature e liderado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Cornell, nos EUA, confirmou que crianças expostas previamente a uma cepa do vírus da influenza podem ter uma resposta imunológica limitada contra a exposição subsequente a uma cepa diferente do vírus.
O estudo incluiu 40 participantes, metade dos quais eram crianças pequenas com exposições confirmadas ao vírus H3N2 e, posteriormente, ao vírus H1N1, ou vice-versa.
Os pesquisadores conseguiram analisar anticorpos dos participantes, incluindo crianças de 2 a 6 anos de idade que tiveram suas primeiras exposições sequenciais aos dois tipos de vírus da gripe A que circulam em humanos.
A análise da resposta pediátrica aos vírus da gripe A H3N2 e H1N1, duas das causas mais comuns de gripe, permitiu avançar na compreensão do conceito de ‘impressão imunológica’.
Os cientistas observaram que, após uma exposição inicial ao vírus H3N2, os anticorpos gerados que conseguiam se ligar tanto ao H3N2 quanto ao H1N1 foram ineficazes para deter a maioria das cepas de H1N1. Mas o estudo também encontrou evidências de que a vacinação simultânea na infância contra H3N2 e H1N1 pode eliminar esse problema.
Segundo o Dr. Patrick Wilson, professor da Escola de Medicina da Universidade Cornell e autor sênior do estudo, as descobertas mostram que a eficácia de uma vacina contra um determinado vírus pode ser afetada por uma exposição anterior a um vírus relacionado, o que pode dificultar bastante o desenvolvimento de vacinas.
Os participantes adultos mostraram sinais de terem desenvolvido uma imunidade mais forte e versátil ao longo da vida. Em algumas das crianças, no entanto, os pesquisadores relataram evidências de que a impressão imunológica prejudicou a imunidade.
Utilizando microscopia crioeletrônica, os pesquisadores puderam observar que até uma diferença molecular muito pequena, como uma única alteração de aminoácido, pode tornar a resposta de anticorpos de memória ineficaz.
Mas as células B de bebês vacinados simultaneamente contra H1N1 e H3N2 – com uma vacina contra a gripe sazonal que normalmente contém ambas as cepas – não apresentaram sinais dessa impressão molecular prejudicial, o que mostra a importância da vacinação.
No Brasil, a vacinação contra a influenza é recomendada para todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade, sendo oferecida gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos, gestantes e outros grupos prioritários.
Para instruções gerais sobre vacinas e calendário 2026, o Ministério da Saúde do Brasil disponibiliza a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026.
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Acesse a a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026 do Ministério da Saúde.



