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Ilustração 3D do vírus HIV
Por Redação SciAdvances
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O vírus da imunodeficiência humana (HIV) continua sendo um grande desafio da saúde pública global, afetando milhões de pessoas em todo o mundo.
As abordagens clínicas atuais para o tratamento, como a terapia antirretroviral combinada, ainda enfrentam a resistência a medicamentos, efeitos colaterais e altos custos.
Sabendo que o vírus HIV utiliza sua proteína de envelope para se ligar especificamente ao receptor CD4 na superfície das células imunológicas para entrar e iniciar a infecção, uma potencial solução passa pelo ‘bloqueio’ do vírus, antes que o vírus entre na célula hospedeira. Mas, neste sentido, as tentativas realizadas até agora apresentaram eficácia limitada.
Com o intuito de avançar na luta contra o vírus HIV, novas moléculas formadas por conjugados anticorpo-fármaco foram desenvolvidas, sob a liderança de pesquisadores do Instituto de Ciência de Tóquio, no Japão.
As moléculas combinam um análogo da proteína receptora CD4 com anticorpos neutralizantes para uma supressão aprimorada da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), oferecendo uma eficácia sete vezes maior do que as abordagens existentes.
As descobertas, publicadas recentemente na revista científica Journal of Medicinal Chemistry, apontam para uma nova direção promissora para o tratamento do HIV: o direcionamento a sítios virais com uma única molécula.
Basicamente, a molécula conjugada desenvolvida atua em duas fases: primeiro, ela ‘engana’ a proteína envelope no vírus, que acha que está se conectando a uma célula hospedeira para iniciar a invasão; depois da conexão do vírus à molécula conjugada, o vírus fica fragilizado e pode ser atacado pelos anticorpos neutralizantes.
Experimentos mostraram que os conjugados anticorpo-fármaco desenvolvidos apresentaram atividade anti-HIV substancialmente maior do que apenas a proteína CD4 ou o anticorpo isoladamente.
Os conjugados anticorpo-fármaco aumentaram a potência antiviral em várias vezes em comparação com os anticorpos originais, mantendo sua seletividade para o HIV sem comprometer a segurança.
A estratégia com conjugados anticorpo-fármaco também pode reduzir os efeitos adversos, já que não tem ação sobre as células hospedeiras e sim diretamente sobre o vírus.
A nova molécula oferece um perfil terapêutico mais direcionado, tornando o tratamento do HIV baseado em anticorpos uma alternativa mais suave aos regimes medicamentosos atuais.
Os pesquisadores destacaram que, no futuro, a nova estratégia pode levar a inibidores de entrada do HIV ainda mais potentes, controlando ou até mesmo erradicando a infecção.
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Universidade de Granada


