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Ilustração 3D de linfócitos atacando célula cancerosa
Por Redação SciAdvances
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As células do sistema imunológico possuem um metabolismo específico que viabiliza o ataque a invasores ou células cancerígenas através de uma reprogramação metabólica que permite gerar energia rapidamente. Isso permite que as células possam passar de um estado em repouso para um estado de ‘ataque’, que tem alto consumo de nutrientes, principalmente glicose.
Porém, a agressividade das células cancerígenas – principalmente em tumores sólidos, como câncer de pulmão, câncer de mama e câncer colorretal – ainda consegue superar, em muitos casos, as células imunológicas em um ambiente de competição por energia. Sem energia, as células T não conseguem produzir citocinas para destruir o tumor. Essa agressividade ainda é um desafio que leva a limitações da terapia CAR-T e de outras imunoterapias em tumores sólidos.
Uma nova estratégia que pudesse garantir energia para as células do sistema imune mesmo com a agressividade das células cancerígenas poderia mudar esse cenário, e elevar a outro nível a luta contra o câncer.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA, descobriram uma maneira de otimizar o desempenho de células imunológicas com uma nova fonte de energia, melhorando drasticamente sua capacidade de sobreviver e atacar tumores sólidos em estudos pré-clínicos.
A equipe desenvolveu um método para fornecer glicose às células T sem fornecer glicose ao tumor, através da degradação da celobiose, um açúcar natural encontrado na celulose de fibras vegetais.
Apesar de células humanas e tumores não conseguirem degradar a celobiose, alguns micróbios e fungos conseguem. Então, os pesquisadores modificaram geneticamente células T com duas proteínas derivadas de fungos, permitindo que as células imunológicas incorporassem a via metabólica da celobiose para conversão em glicose disponível dentro da célula.
Em experimentos de laboratório, projetados para simular o ambiente tumoral pobre em nutrientes, as células T geneticamente modificadas sobreviveram, continuaram se dividindo, produziram citocinas de combate ao câncer (como IFN-γ e TNF) e mataram células tumorais com eficácia, enquanto as células T não modificadas perderam sua função rapidamente.
Em modelos de câncer sólido em camundongos, animais tratados com células T capazes de metabolizar a celobiose apresentaram crescimento tumoral mais lento e viveram significativamente mais tempo do que os animais que receberam células imunes padrão. Em alguns casos, houve regressão tumoral completa.
Em condições laboratoriais de baixa glicose de células CAR-T humanas, semelhantes às encontradas em tumores sólidos, a celobiose restaurou a sobrevivência, proliferação, produção de citocinas e capacidade de destruição tumoral das células CAR-T. Em modelos de camundongos, as células CAR-T modificadas para metabolizar a celobiose mostraram-se mais ativas dentro dos tumores e apresentaram uma forte tendência de melhor controle tumoral.
O Dr. Manish Butte, professor de Alergia, Imunologia e Reumatologia Pediátrica da UCLA e autor sênior do estudo, destacou que o método tem o potencial de beneficiar praticamente qualquer terapia baseada em células T que esteja sendo desenvolvida para tumores sólidos.
Os resultados foram publicados na revista científica Cell.
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Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).



