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Por Redação SciAdvances
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Feridas estão constantemente sujeitas a infecções e, em muitos casos, também há problemas na velocidade de cicatrização, devido a reações descontroladas do sistema imunológico.
Neste cenário, novos materiais que possam reduzir a infecção – mesmo que provocada por microrganismos com levada resistência a antibióticos – e também acelerar a cicatrização são bem-vindos para reduzir o risco à saúde das pessoas.
Em uma nova abordagem inspirada em armadilhas extracelulares de neutrófilos (NETs) – uma espécie de armadilha natural do sistema imunológico que aprisiona patógenos – pesquisadores conseguiram desenvolver um material na forma de hidrogel para feridas que pode proteger a área vulnerável de bactérias multirresistentes e também acelerar a cicatrização.
A pesquisa, liderada pelo Dr. Raffaele Mezzenga, professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurique), na Suíça – em colaboração com pesquisadores da Universidade de Xangai, na China, e da Universidade de Minnesota, nos EUA – foi publicada recentemente na revista científica Nature Communications.
Os cientistas desenvolveram o hidrogel a partir da clara de ovos de galinha, formando uma densa malha de minúsculas fibras proteicas de uma enzima bacteriana chamada lisozima, que permanece inativa inicialmente.
Quando o hidrogel é submetido à luz infravermelha próxima, ele aquece uma molécula termossensível integrada e o calor gerado pela molécula faz com que parte da rede de fibras proteicas se desfaça temporariamente, liberando moléculas individuais de lisozima. Nessa forma, as moléculas de lisozima se tornam biologicamente ativas e atacam as bactérias.
Uma das inovações do hidrogel é a reversibilidade da rede de fibras proteicas: as lisozimas podem cambiar entre os estados passivo (sem a incidência da luz, apoiando a regeneração do tecido) e ativo (na presença da luz infravermelha, com os efeitos antibacterianos e anti-inflamatórios ‘ligados’) sucessivamente, sem perder sua estabilidade.
O hidrogel, que é aplicado diretamente sobre a ferida, permanece no local durante todo o processo de cicatrização. Ele é absorvido pelo tecido e se biodegrada gradualmente à medida que o tecido se regenera.
O hidrogel já foi testado em estudos pré-clínicos com camundongos e porcos, conseguindo alcançar uma redução da carga bacteriana de até 95% em uma ferida infectada com a bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) em camundongos. A ferida tratada cicatrizou quase completamente em 15 dias, um período significativamente menor do que nas feridas do grupo controle.
Agora, os pesquisadores estão buscando parcerias com empresas e hospitais para a realização de ensaios clínicos.
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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