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Vacina da dengue do Butantan: carga viral em vacinados que tiveram dengue foi significativamente menor do que em não vacinados
7 de janeiro de 2026, 12:13

Fonte

Aline Tavares, Instituto Butantan

Publicação Original

Áreas

Bioinformática, Biomedicina, Biotecnologia, Desenvolvimento de Fármacos, Engenharia Biológica, Estudo Clínico, Imunologia, Indústria Farmacêutica, Microbiologia, Toxicologia, Vacinas, Vigilância Sanitária, Virologia

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Resumo

Um estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas mostrou que a Butantan-DV – a vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada em novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) –  pode ajudar a reduzir a carga viral (quantidade de vírus) em pessoas infectadas pelo patógeno, além de manter eficácia robusta contra os diferentes genótipos do vírus circulantes no Brasil. Em geral, baixas cargas virais estão associadas a quadros menos graves.

Os pesquisadores analisaram amostras de 365 voluntários que tiveram dengue sintomática durante o estudo clínico de fase III, realizado entre 2016 e 2021 em 14 estados do Brasil, e compararam dados dos grupos de vacinados e não vacinados.

Apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados, demonstrando a eficácia da vacina em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.

“O estudo principal da fase III já havia apontado uma incidência menor de dengue grave na população imunizada. Agora, essas análises reforçam a capacidade da vacina de atenuar a infecção”, afirmou o Dr. Érique de Miranda, infectologista e gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan e um dos autores do artigo.

A vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan foi aprovada pela Anvisa após análise dos dados de cinco anos de acompanhamento dos 16 mil voluntários participantes do ensaio clínico. No público de 12 a 59 anos, faixa etária indicada pela agência reguladora, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme.

Outro achado importante da pesquisa foi que o imunizante se mostrou seguro do ponto de vista evolutivo, ou seja, não induziu o surgimento de variantes mais agressivas. Para chegar a essa conclusão, os cientistas sequenciaram o material genético dos vírus encontrados nos participantes infectados e constataram que não houve diferenças nas taxas de mutação entre vacinados e não vacinados.

“DENV-1 e DENV-2 foram os sorotipos predominantes durante o período de ensaio clínico, mas dentro disso há uma população heterogênea de vírus circulando, com variações genéticas. Às vezes, um imunizante pode se tornar parcialmente ineficaz porque os vírus da natureza se diferenciaram da estrutura original contida na vacina. Os dados mostraram, no entanto, que a Butantan-DV não gerou pressão seletiva e não influenciou mutações no vírus”, explicou o Dr. Érique de Miranda.

Uma das grandes questões era se a vacina protegeria contra diferentes genótipos de um mesmo sorotipo. Segundo o infectologista, o estudo indicou que a Butantan-DV manteve uma eficácia robusta contra as diversas linhagens circulantes no Brasil, como o genótipo V do DENV-1 e o genótipo Cosmopolita do DENV-2, introduzido no final de 2021.

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Autores/Pesquisadores Citados

Infectologista e gestor médico de Desenvolvimento Clínico do Instituto Butantan

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