
Divulgação, MIT
Destruição de células cancerígenas por macrófagos tratados com AbLec depois de 5 horas: fluorescência vermelha indica as células cancerígenas que foram destruídas pelos macrófagos
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Anne Trafton, MIT News
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Resumo
Em um novo estudo, pesquisadores conseguiram reverter um ‘freio’ que as células cancerígenas acionam para impedir que as células imunológicas iniciem um ataque. Esse ‘freio’ é controlado por moléculas de açúcar conhecidas como glicanos, encontradas na superfície das células cancerígenas.
Os cientistas demonstraram que podem aumentar drasticamente a resposta do sistema imunológico às células cancerígenas. Para isso, eles criaram moléculas multifuncionais conhecidas como AbLecs, que combinam uma lectina com um anticorpo direcionado ao tumor.
Com os resultados, os pesquisadores fundaram a startup Valora Therapeutics, com a missão de desenvolver candidatos promissores para imunoterapia. Eles esperam iniciar os estudos clínicos nos próximos dois a três anos.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Treinar o sistema imunológico para reconhecer e destruir células tumorais é uma abordagem promissora para o tratamento de muitos tipos de câncer.
Uma classe de medicamentos de imunoterapia, conhecida como inibidores de checkpoint, estimula células imunes bloqueando a interação entre as proteínas PD-1 e PD-L1. Isso remove um ‘freio’ que as células tumorais usam para impedir que células imunológicas, como as células T, destruam as células cancerígenas.
Nos EUA, medicamentos que têm como alvo o checkpoint PD-1-PD-L1 foram aprovados para tratar diversos tipos de câncer. Em alguns desses pacientes, os inibidores de checkpoint podem levar à remissão prolongada, mas para muitos outros, eles não funcionam.
Na esperança de gerar respostas imunológicas em um número maior de pacientes, pesquisadores estão trabalhando em maneiras de atingir outras interações imunossupressoras entre células cancerígenas e células imunológicas. Uma dessas interações ocorre entre glicanos em células tumorais e receptores encontrados em células imunológicas.
Glicanos são encontrados em quase todas as células vivas, mas as células tumorais frequentemente expressam glicanos que não são encontrados em células saudáveis, incluindo glicanos que contêm um monossacarídeo chamado ácido siálico. Quando os ácidos siálicos se ligam a receptores de lectina, localizados em células imunológicas, eles ativam uma via imunossupressora nessas células. Essas lectinas que se ligam ao ácido siálico são conhecidas como Siglecs.
Atualmente, não existem terapias aprovadas que visem a interação entre Siglecs e o ácido siálico, apesar de diversas abordagens de desenvolvimento de medicamentos terem sido tentadas.
Estudo
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade Stanford, nos EUA, desenvolveram uma nova maneira de estimular o sistema imunológico a atacar células tumorais, usando uma estratégia que pode tornar a imunoterapia contra o câncer eficaz para mais pacientes.
A solução que os pesquisadores encontraram foi reverter um ‘freio’ que as células cancerígenas acionam para impedir que as células imunológicas iniciem um ataque. Esse freio é controlado por moléculas de açúcar conhecidas como glicanos, encontradas na superfície das células cancerígenas.
Ao bloquear esses glicanos com moléculas chamadas lectinas, os pesquisadores demonstraram que podem aumentar drasticamente a resposta do sistema imunológico às células cancerígenas. Para isso, eles criaram moléculas multifuncionais conhecidas como AbLecs, que combinam uma lectina com um anticorpo direcionado ao tumor.
Então, os pesquisadores desenvolveram uma maneira de administrar quantidades maiores de lectinas, ligando-as a anticorpos que têm como alvo as células cancerígenas. Uma vez nas células cancerígenas, as lectinas podem se ligar ao ácido siálico, impedindo sua interação com os receptores Siglec nas células imunes. Isso libera a resposta imune, permitindo que células imunológicas, como macrófagos e células natural killer (NK), iniciem um ataque contra o tumor.
A Dra. Jessica Stark, professora de Engenharia Biológica e Engenharia Química do MIT, é a autora principal do estudo publicado na revista científica Nature Biotechnology, enquanto a Dra. Carolyn Bertozzi, professora de Química em Stanford, é a autora sênior.
Criamos um novo tipo de proteína terapêutica capaz de bloquear pontos de controle imunológicos baseados em glicanos e impulsionar as respostas imunes anticancerígenas. Como os glicanos são conhecidos por restringir a resposta imune ao câncer em diversos tipos de tumores, suspeitamos que nossas moléculas possam oferecer opções de tratamento novas e potencialmente mais eficazes para muitos pacientes com câncer
Resultados
Os pesquisadores desenvolveram uma AbLec baseado no anticorpo trastuzumabe, que se liga ao HER2 e é aprovado como terapia contra o câncer de mama, de estômago e colorretal. Para formar a molécula AbLec, eles substituíram um dos braços do anticorpo por uma lectina, Siglec-7 ou Siglec-9.
Testes com células cultivadas em laboratório mostraram que a AbLec desenvolvido pelos cientistas reprogramou as células imunológicas para atacarem e destruírem as células cancerígenas.
Os pesquisadores testaram então a AbLec em um modelo de camundongo geneticamente modificado para expressar receptores Siglec humanos e receptores de anticorpos. Os camundongos foram injetados com células cancerígenas que formaram metástases nos pulmões. Quando tratados com a AbLec, os camundongos apresentaram menos metástases pulmonares do que os camundongos tratados apenas com trastuzumabe.
Agora, pesquisadores da equipe fundaram a startup Valora Therapeutics, que está trabalhando no desenvolvimento de candidatos promissores para imunoterapia. Eles esperam iniciar os estudos clínicos nos próximos dois a três anos.
As AbLecs são realmente fáceis de usar. Elas são modulares. Você pode imaginar a troca de diferentes domínios de receptores de isca para atingir diferentes membros da família de receptores de lectina, e também pode trocar o braço do anticorpo. Isso é importante porque diferentes tipos de câncer expressam diferentes antígenos, que podem ser abordados alterando o alvo do anticorpo
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Nature Biotechnology (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (em inglês).
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