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Meg Dalton, Universidade Yale
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Resumo
Para compreender como o cortisol age separadamente nos circuitos cerebrais relacionados à emoção e à memória, pesquisadores realizaram um estudo randomizado e duplo-cego no qual os participantes tomaram um comprimido contendo hidrocortisona ou um placebo antes de visualizarem imagens enquanto eram submetidos a uma ressonância magnética funcional (fMRI).
Os pesquisadores descobriram que o cortisol não apenas ajuda as pessoas a se lembrarem de experiências emocionais, mas também aprimora a memória emocional, alterando as redes cerebrais dinâmicas associadas tanto à memória quanto à emoção.
Foco do Estudo
Por que é importante?
Embora se saiba que o estresse pode ajudar a formar memórias emocionais mais fortes em humanos e animais, é necessária a ativação de certas regiões do cérebro para que isso ocorra.
Mas, como essas regiões cerebrais podem estar envolvidas em múltiplos processos cognitivos, ainda não está completamente compreendido como o cortisol – o ‘hormônio do estresse’ – ajuda o cérebro a construir memórias emocionais.
Estudo
Pesquisadores da Universidade Yale, nos EUA, estudaram como o cortisol ajuda o cérebro a construir memórias emocionais. Eles queriam compreender como o cortisol age separadamente nos circuitos cerebrais relacionados à emoção e à memória.
Para o estudo, os pesquisadores realizaram um experimento no qual os participantes tomaram um comprimido contendo hidrocortisona ou um placebo antes de visualizarem imagens enquanto eram submetidos a uma ressonância magnética funcional (fMRI). A fMRI permite rastrear o fluxo sanguíneo oxigenado para ‘observar’ a atividade cerebral.
Enquanto os participantes visualizavam as imagens, eles relatavam aos pesquisadores como se sentiam em relação a cada uma delas. No dia seguinte, os pesquisadores testaram a memória dos participantes em relação às imagens. Cada participante realizou o estudo uma vez com hidrocortisona e uma vez com placebo. O estudo foi randomizado e duplo-cego, ou seja, nem os participantes nem os pesquisadores sabiam qual comprimido haviam tomado.
Então, os pesquisadores analisaram a conectividade funcional durante um único teste (cerca de cinco segundos) e a utilizaram para tentar prever como as pessoas se sentiram em relação a esse teste. Eles também utilizaram a conectividade funcional durante um único teste para tentar prever se as pessoas se lembrariam desse teste no dia seguinte. Ambas as previsões foram bem-sucedidas.
Assim, os pesquisadores conseguiram definir redes cerebrais dinâmicas distintas (modelagem preditiva dinâmica baseada no conectoma) para a formação da memória e para a intensidade emocional, e observar como essas redes se alteravam com o cortisol.
Formar memórias de experiências emocionais envolve diferentes processos no cérebro: primeiro, perceber uma experiência como emocional ou intensa e, segundo, codificar essa experiência na memória de longo prazo
Resultados
Com o experimento, os pesquisadores descobriram duas coisas: primeiro, como esperado, o cortisol ajudou as pessoas a se lembrarem de experiências emocionais; segundo, o cortisol aprimorou a memória emocional ao alterar as redes cerebrais associadas tanto à memória quanto à emoção.
Para a emoção, o cortisol tornou as redes mais consistentes e mais fortemente engajadas. Para a memória, o cortisol tornou as redes mais especializadas em conteúdo emocional. O cortisol também aumentou a coordenação entre as redes que processam emoções e memória.
Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que múltiplos mecanismos cerebrais dinâmicos nos permitem lembrar seletivamente de experiências emocionais sob estresse.
Os resultados foram publicados na revista Science Advances.
As respostas ao estresse são fundamentalmente adaptativas e podem ajudar a formar memórias fortes — mas isso é específico para experiências que consideramos emocionalmente intensas ou significativas. Isso está relacionado, em parte, ao aumento do engajamento das redes cerebrais que rastreiam a intensidade emocional. Portanto, se você estiver estressado e tentando aprender algo novo, pode ser útil pensar em elementos estimulantes ou sentimentos fortes associados ao que está aprendendo
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Yale (em inglês).
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