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Jessica Stanley, Universidade de Adelaide
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Resumo
Na Austrália, um novo estudo clínico pretende esclarecer a possibilidade de uso da cannabis medicinal para aliviar efeitos colaterais em tratamentos de quimioterapia.
Os participantes do estudo receberão doses personalizadas de terapia com cannabis medicinal de grau farmacêutico ou um placebo, a fim de determinar se a substância pode proteger o intestino da quimioterapia, aliviar os sintomas do tratamento do câncer e melhorar sua qualidade de vida.
A expectativa dos pesquisadores é que o CBD e o THC – compostos da cannabis – possam reduzir a gravidade dos efeitos colaterais associados ao tratamento de câncer e melhorar o bem-estar dos pacientes.
Na Austrália, pessoas com câncer que estão prestes a iniciar ou iniciaram recentemente a quimioterapia estão sendo recrutadas para o estudo CANnabinoids in CANcer (CANCAN), que está sendo realizado em três hospitais da Austrália Meridional: Royal Adelaide Hospital, Lyell McEwin Hospital e The Queen Elizabeth Hospital.
Os participantes do estudo serão aleatoriamente designados para receber um comprimido de cannabis medicinal de grau farmacêutico ou um placebo, a fim de determinar se a substância pode proteger o intestino da quimioterapia, aliviar os sintomas do tratamento do câncer e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
“Apesar do crescente interesse na cannabis medicinal para o controle dos sintomas do câncer, ainda há uma carência de evidências de alta qualidade que sustentem seu uso. Este estudo preencherá essa lacuna de conhecimento e fornecerá dados essenciais para ajudar os médicos a tomarem decisões informadas”, afirmou a Dra. Hannah Wardill, professora e pesquisadora em cuidados oncológicos da Escola de Biomedicina da Universidade de Adelaide.
Há algumas evidências que sugerem que o CBD e o THC – substâncias químicas encontradas na planta cannabis e usadas neste estudo – podem proteger o intestino contra danos. O CBD parece ter propriedades anti-inflamatórias, enquanto o THC, o ingrediente psicoativo da cannabis, pode ajudar a aliviar sintomas como náusea, dor e fadiga.
Pessoas com câncer avançado apresentam uma série de efeitos colaterais, muitos dos quais temos dificuldade em controlar. Qualquer coisa que possamos fazer para ajudar as pessoas a tolerarem melhor o tratamento e a se manterem bem seria extremamente vantajosa
Até 40% das pessoas com câncer relatam usar cannabis para aliviar os sintomas do tratamento – muitas vezes obtendo-a ilegalmente, sem orientação médica. Menos de 30% dos profissionais de saúde oncológicos se sentem suficientemente informados para aconselhar seus pacientes sobre o uso medicinal da cannabis.
No estudo clínico, serão adotados controles rigorosos em torno do uso do medicamento de grau farmacêutico. Os participantes receberão doses personalizadas da terapia, com a dose máxima disponível significativamente menor do que a dosagem recreativa com intenção psicoativa.
“Temos esperança de que as dosagens personalizadas de CBD e THC reduzam a gravidade dos efeitos colaterais associados ao tratamento do câncer e melhorem o bem-estar dos pacientes, para que possam continuar seus planos de tratamento”, disse a professora Hannah Wardill.
O recrutamento está em andamento e pessoas com câncer que têm tratamento quimioterápico agendado em múltiplos ciclos no Royal Adelaide Hospital, The Queen Elizabeth Hospital ou Lyell McEwin Hospital podem ser elegíveis para participar. Pessoas que já iniciaram o tratamento e desenvolveram sintomas também podem ser elegíveis. Os participantes deverão abster-se de dirigir e de usar cannabis recreativa durante o estudo clínico.
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Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Adelaide (em inglês).
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