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Ty Tkacik, Penn State
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Resumo
Nos EUA, pesquisadores desenvolveram um dispositivo vestível bioeletrônico que usa hidrogéis e é capaz de rastrear com precisão os níveis de íons cloreto no suor.
A medição de cloreto no suor é essencial para avaliar o estado de hidratação e condições de saúde como a fibrose cística.
Os pesquisadores testaram o biossensor tanto no modo vestível, durante a realização de exercícios físicos, quanto em laboratório, analisando o suor colhido remotamente.
Os resultados mostraram que o novo biossensor produz leituras mais precisas em comparação com sensores potenciométricos.
Foco do Estudo
Estudo
Medir a composição química do suor de uma pessoa – especificamente os níveis de cloreto – pode servir como um sistema de alerta precoce para ajudar o diagnóstico de fibrose cística, uma doença genética que danifica os pulmões e o sistema digestivo.
Recentemente, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State) desenvolveu um dispositivo vestível capaz de rastrear com precisão os níveis de íons cloreto no suor, o que é essencial para avaliar o estado de hidratação e condições de saúde como fibrose cística.
O biossensor viabiliza o rastreamento em tempo real do suor de uma pessoa que se exercita por meio de um design à base de hidrogel que permite que o dispositivo opere com sensibilidade, precisão e eficiência aprimoradas, além de ser reutilizável.
O estudo foi publicado na revista científica Biosensors and Bioelectronics.
De acordo com Wanqing Zhang, doutoranda em Engenharia Mecânica da Penn State e coautora do artigo, o novo biossensor usa vários tipos de hidrogel – um material rico em água, semelhante a um gel, feito de redes de polímeros – para melhorar sua resposta.
O biossensor contém uma câmara de suor, um hidrogel seletivo de cátions (CH), com cátions móveis, e um hidrogel de alta salinidade (HH), como o suor. Quando o suor entra na câmara, a diferença na concentração de sal entre o suor e o HH faz com que os cátions móveis no CH se movam do lado do HH para o lado da câmara de suor, gerando uma tensão de circuito aberto (OCV) entre os dois pontos. Ao rastrear essa tensão – que indica quantos íons cloreto estão presentes na amostra de suor – podem ser rastreados os níveis de íons cloreto.
O método tradicional de medir os níveis de íons cloreto é ir a um hospital e fazer as medições, o que é demorado e caro. Os sensores vestíveis que desenvolvemos processam o suor e monitoram os níveis de íons cloreto em tempo real, diretamente no corpo do indivíduo. Isso fornece aos pesquisadores muitas informações sobre a saúde de um indivíduo e, especificamente para este estudo, permite identificar os altos níveis de íons cloreto que indicam a presença de fibrose cística
Resultados
“Em outros projetos de sensores, é extremamente difícil ou impossível rastrear efetivamente pequenas flutuações nos níveis de íons cloreto”, disse o Dr. Huanyu ‘Larry’ Cheng, professor de Engenharia Mecânica da Penn State e autor sênior do artigo. “Ao incorporar dois tipos diferentes de hidrogel no design do nosso sensor, podemos medir a mudança na OCV do sensor em tempo real, o que significa que podemos acompanhar a flutuação dos níveis de íons cloreto no suor da pessoa”.
No entanto, o uso apenas dessas soluções de hidrogel apresentou alguns problemas, explicou Wanqing Zhang. O material dos hidrogéis é uma rede de polímeros hidrofílicos, ou seja, materiais altamente atraídos pela água, o que significa que a água e os eletrólitos poderiam facilmente penetrar nos hidrogéis. A equipe então utilizou um material conhecido como filme de PVDF-HFP, para isolar os hidrogéis do excesso de água ou eletrólitos, e garantir a precisão do sensor.
Para testar o biossensor, a equipe conduziu dois experimentos diferentes. Primeiro, coletaram suor de um indivíduo se exercitando e o analisaram usando o sensor separadamente do corpo do indivíduo. Eles então monitoraram o suor enquanto o sujeito usava o sensor durante o exercício, rastreando os níveis de íons cloreto em um software que gera informações gráficas em tempo real. As leituras de ambos os experimentos foram então comparadas para confirmar a precisão das leituras do sensor.
O sensor coleta dados muito rapidamente, medindo e visualizando os níveis de íons cloreto em menos de 10 segundos. De acordo com Wanqing Zhang, o biossensor produz leituras mais precisas em comparação com sensores potenciométricos.
A pesquisadora também destacou a alta consistência e a independência do sensor em relação às leituras anteriores, o que garante leituras fáceis e precisas sem a necessidade de fazer conexões entre múltiplas leituras anteriores, melhorando sua reutilização.
Embora o sensor tenha sido projetado principalmente para ajudar a identificar níveis de íons cloreto indicativos de fibrose cística, o professor Huanyu Cheng acredita que o projeto apresenta uma base sólida para futuros dispositivos vestíveis que possam detectar outros biomarcadores.
Este sensor abre caminho para sensores de cloreto de baixo custo, escaláveis e vestíveis
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Acesse a revista científica Biosensors and Bioelectronics (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Estadual da Pensilvânia (em inglês).
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