Leitura rápida

Uso prolongado do medicamento omeprazol pode prejudicar absorção de nutrientes
12 de janeiro de 2026, 19:03

Fonte

Maria Fernanda Ziegler, Agência FAPESP

Publicação Original

Áreas

Assuntos Regulatórios, Bioquímica, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Farmacologia, Farmacovigilância, Farmácia Clínica, Nutrição Clínica, Nutrição Funcional

Compartilhar

Resumo

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Centro Universitário FMABC alerta que o uso prolongado de inibidores da bomba de prótons pode prejudicar a absorção de nutrientes.

A classe de medicamentos, representada por fármacos como omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, é utilizada no tratamento de distúrbios gástricos e seu uso inadequado, por períodos superiores aos recomendados por médicos, pode causar deficiências nutricionais, como anemia, além de comprometer a saúde óssea.

A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), avaliou os efeitos do uso contínuo do omeprazol na absorção de minerais essenciais como ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio em ratos.

Na pesquisa, ratos adultos foram divididos em grupo controle e grupo tratado com omeprazol. Os experimentos tiveram duração de 10, 30 e 60 dias, períodos escolhidos para simular diferentes níveis de uso prolongado do medicamento em humanos.

Os animais que receberam o medicamento apresentaram alterações na distribuição desses nutrientes pelo organismo. Os pesquisadores observaram que o medicamento altera a distribuição de minerais no corpo, com acúmulo no estômago e desequilíbrios no baço e no fígado. No sangue, observaram aumento de cálcio e queda de ferro, indicando risco de osteoporose e anemia. Também foram detectadas mudanças importantes nas células do sistema imune.

“O achado mais preocupante foi o aumento significativo de cálcio na corrente sanguínea dos animais, o que pode indicar um desequilíbrio com a retirada do mineral dos ossos e risco futuro de osteoporose. No entanto, são necessários estudos mais longos para confirmar essa hipótese”, destacou o Dr. Angerson Nogueira do Nascimento, professor da Unifesp que coordenou o estudo em parceria com o Dr. Fernando Fonseca, professor da FMABC.

Ao reduzir a acidez gástrica, os medicamentos omeprazol, pantoprazol e esomeprazol aliviam sintomas de úlceras, gastrite e refluxo, mas também dificultam a absorção de nutrientes que dependem de um meio ácido.

O medicamento omeprazol tornou-se amplamente utilizado, muitas vezes de forma prolongada e sem acompanhamento médico. “Não se trata de demonizar o medicamento, que é eficaz para diversas condições gástricas. O problema é o uso banalizado, inclusive para sintomas leves como azia, e por períodos prolongados por meses e até anos. Seus efeitos adversos não devem ser negligenciados”, alertou Andréa Santana de Brito, que realizou seu mestrado na Unifesp sobre o tema.

A pesquisadora ressaltou que a situação pode se agravar com a nova portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que liberou, em novembro de 2025, a venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica. “Essa facilidade pode estimular a automedicação e o uso contínuo, desrespeitando a recomendação de limitar o tratamento a 14 dias”, alertou.

Os resultados foram publicados na revista científica ACS Omega.

Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas. 

Autores/Pesquisadores Citados

Professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Mestra em Ciência e Tecnologia da Sustentabilidade pela Unifesp

Publicação

Mais Informações

Notícias relacionadas

Rolar para cima