
Spectral-Design via Shutterstock
Ilustração em 3D de células T do sistema imunológico atacando células cancerígenas
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A imunoterapia, um dos principais recursos da oncologia moderna, tem como foco fazer com que as células tumorais não consigam ‘se esconder’ do ataque das células do sistema imunológico do paciente. Porém, a alta eficácia do tratamento na cura ou controle de tumores agressivos por longo prazo, não acontece para todos os pacientes ou todos os tipos de câncer.
Vários grupos de pesquisa em todo o mundo têm trabalhado em propostas de melhorias em relação à eficácia da imunoterapia, em diversas frentes de estudo.
Na Suíça, por exemplo, pesquisadores estão estudando em que medida um transplante de microbiota fecal pode fazer diferença no caso de pacientes que não tiveram sucesso anterior com a imunoterapia.
Avanço: reconfiguração das bactérias intestinais pode modificar eficácia da imunoterapia
Pesquisadores da Universidade de Zurique e do Hospital Universitário de Zurique, na Suíça, estão investigando se o microbioma intestinal pode ajudar no sucesso da imunoterapia contra o câncer.
Pacientes cujos tumores não tinham respondido bem à imunoterapia anteriormente foram submetidos a transplante de microbiota fecal, realizado por meio de colonoscopia, a partir de doadores que tinham mostrado boa resposta ao tratamento. Então, os pacientes foram submetidos novamente à mesma imunoterapia.
Resultados foram surpreendentes
Para cerca de metade dos participantes do estudo para os quais a imunoterapia era ineficaz, o resultado surpreendeu: após o transplante de microbiota fecal, a imunoterapia repentinamente começou a funcionar.
Segundo o Dr. Michael Scharl, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Zurique e chefe do serviço de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital Universitário de Zurique, os efeitos positivos do transplante de microbiota fecal podem ser devidos tanto a mudanças no metabolismo quanto à renovação substantiva de microrganismos e seus antígenos no intestino.
Em relação ao metabolismo, a presença de ácidos graxos insaturados no sangue pode aumentar o estresse oxidativo das células tumorais e torná-las mais vulneráveis ao ataque do sistema imune.
Além disso, ao proporcionar uma renovação significativa da microbiota intestinal, o transplante faz com que as células T citotóxicas sejam colocadas em um estado de alerta elevado, tornando mais difícil que as células tumorais passem desapercebidas pelas células imunes.
Além da observação clínica, o novo estudo também mostrou outro resultado fundamental: pacientes com câncer com uma determinada população de monócitos no intestino e uma alta diversidade de receptores de células T têm muito mais probabilidade de se beneficiarem do transplante de microbiota fecal.
Medicina de precisão pode ajudar a enfrentar desafios
Os cientistas destacaram que a melhoria alcançada não foi devida a algum tipo específico de bactéria, mas à nova sinergia entre microbioma, metabolismo e sistema imune do paciente.
Portanto, o estudo apontou um novo foco para a medicina de precisão: determinar características e marcadores moleculares e imunológicos do receptor que estejam associados aos melhores resultados do transplante de microbiota fecal como intervenção que melhora a eficácia da imunoterapia.
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Publicidade
Outros avanços

Universidade de Roma Sapienza

Instituto de Ciência de Tóquio

