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Por Redação SciAdvances
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A dor crônica é uma dor persistente que não responde aos tratamentos comuns e afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Entre os desafios relacionados à dor crônica está o fato de que a dor não é um fenômeno puramente físico, portanto, os tratamentos podem envolver múltiplas modalidades de intervenção e precisam ser altamente personalizados para cada indivíduo.
Para evoluir no tratamento, diversas pesquisas sobre a dor crônica tentam olhá-la por diferentes perspectivas, incluindo como grupos específicos de pessoas podem enfrentá-la. Isso levou a pesquisas sobre os potenciais impactos de transtornos do neurodesenvolvimento, como o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e o transtorno do espectro autista, sobre a dor crônica.
Um novo estudo transversal de triagem considerou 958 pacientes adultos com dor crônica persistente (apesar do tratamento padrão) em centros multidisciplinares de dor no Japão, e analisou quais destes pacientes apresentavam transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno do espectro autista (TEA), na tentativa de associar características destes transtornos à dor crônica.
Segundo os pesquisadores, características do TDAH e do TEA parecem impactar a forma como as pessoas percebem a dor por meio do aumento da ansiedade, depressão e padrões de pensamento negativos.
Os sintomas de TDAH, mas não os de TEA, estiveram consideravelmente associados à maior intensidade da dor e à dor extremamente intensa, considerando o escore médio na escala numérica de dor (intensidade da dor de 9 a 10 de 10). Entre os pacientes com dor extremamente intensa, 27,4% apresentaram resultado positivo para TDAH na triagem.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, apresenta possíveis caminhos para novos tratamentos e reabilitação personalizados para pessoas com TDAH e dor crônica e foi conduzida por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Médica de Fukushima, da Universidade Médica Aichi, da Universidade Tamagawa e do Hospital da Universidade de Tóquio, no Japão.
As descobertas reafirmam a ideia de que a dor não é meramente física, mas que características mentais e neurológicas podem desempenhar um papel mais importante do que se pensava.
Segundo os pesquisadores, os sintomas de TDAH estão mais fortemente associados à intensidade da dor do que os sintomas de TEA em pacientes com dor crônica persistente, e fatores emocionais e cognitivos podem desempenhar um papel mediador fundamental.
Neste sentido, a triagem para sintomas de TDAH é importante para o manejo abrangente da dor crônica intensa, mas muitos adultos com TDAH não são diagnosticados, mesmo quando procuram atendimento médico para problemas como dor crônica.
O Dr. Satoshi Kasahara, pesquisador do Departamento de Anestesiologia e Centro de Alívio da Dor do Hospital da Universidade de Tóquio e primeiro autor do estudo, acredita que a pesquisa pode ser útil para os médicos, já que um diagnóstico positivo ou negativo de TDAH pode ajudar a direcionar as opções de tratamento para pacientes com dor crônica.
Agora, os pesquisadores pretendem examinar se e como o tratamento do TDAH pode ajudar a reduzir a dor crônica. Eles estão considerando a realização de estudos prospectivos e intervencionistas para isso. Identificar e tratar adequadamente o TDAH em pacientes com dor crônica também pode ajudar a melhorar a condição geral do paciente.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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