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Resumo
A presença de antibióticos em águas residuais hospitalares é um problema crescente, pois promove o surgimento de bactérias resistentes, um dos maiores desafios atuais para a saúde pública.
Recentemente, uma equipe de pesquisadores da Universidade Politécnica de Madri (UPM) e da Universidade Complutense de Madri (UCM), na Espanha, desenvolveu um material inovador a partir de resíduos de uva capaz de reter o meropenem, um antibiótico de quarta geração que, devido à sua alta estabilidade, atravessa os sistemas convencionais de tratamento de água sem se degradar.
O novo material, que funciona como um filtro, removeu com sucesso 100% do antibiótico, mesmo em condições equivalentes às de águas residuais hospitalares reais e com altas concentrações do contaminante.
O engaço é conjunto do pedúnculo e das ramificações do cacho de uvas que suportam os bagos, e normalmente é removido durante o processo de produção de vinhos. Trata-se de um subproduto agrícola abundante, a partir do qual os pesquisadores obtiveram o novo material descontaminante produzido por meio de pirólise e posterior ativação com hidróxido de sódio.
O resultado – um biochar quimicamente ativado de origem vitivinícola – é um material carbonáceo com estrutura porosa, semelhante a um favo de mel, e grupos funcionais capazes de interagir com contaminantes, como antibióticos, e retê-los.
Testes demonstraram que essa modificação química multiplica a eficácia do material na adsorção do contaminante. Enquanto o biochar não tratado adsorveu entre 48% e 60% do contaminante, o biochar ativado o eliminou completamente.
Experimentos confirmaram que a adsorção é rápida, estável e espontânea, estando em conformidade com modelos cinéticos e termodinâmicos que indicam interações químicas e físicas.
Além disso, o biochar sintetizado demonstrou alta capacidade de reutilização, mantendo mais de 90% de seu desempenho após cinco ciclos de uso, e contribuiu para a redução da salinidade da água, melhorando assim sua qualidade geral.
Os resultados obtidos oferecem uma dupla vantagem. Por um lado, reduzem o volume de resíduos agrícolas que precisam ser gerenciados, transformando-os em recursos reutilizáveis e de valor agregado para usos ambientais, como o tratamento de água. Por outro lado, protegem a saúde pública, impedindo que antibióticos cheguem a rios e aquíferos.
“A aplicação do filtro desenvolvido em hospitais e estações de tratamento pode ser uma ferramenta eficaz e sustentável diante da crise da resistência antimicrobiana, um dos maiores desafios de saúde do século XXI”, concluíram os pesquisadores.
O estudo foi publicado na revista científica Journal of Environmental Management.
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Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Journal of Environmental Management (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Politécnica de Madri (em espanhol).
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