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Solução natural baseada em peptídeos produzidos por cianobactérias evita a bioincrustração em superfícies que ficam submersas no mar
18 de janeiro de 2026, 14:33

Fonte

Eunice Sousa, CIIMAR

Publicação Original

Áreas

Bacteriologia, Bioquímica, Biotecnologia, Engenharia Ambiental, Microbiologia, Oceanografia, Química Verde, Toxicologia

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Resumo

A chamada bioincrustação marinha é um fenômeno natural que ocorre quando superfícies submersas, como cascos de navios, infraestruturas portuárias ou equipamentos de aquacultura, são colonizadas por bactérias, algas e invertebrados.

Este processo representa um dos maiores desafios operacionais e econômicos para as indústrias marinhas, tipicamente a indústria naval, aumentando os custos de manutenção dos navios, o consumo de combustível e as emissões.

Atualmente, a principal solução para este problema é o uso de tintas que libertam continuamente biocidas tóxicos (cobre e outros compostos metálicos) impedindo a incrustação. Apesar da sua eficácia, estas soluções têm um elevado custo ambiental provocando poluição marinha, perda de biodiversidade e degradação dos ecossistemas. A sua ação é tão intensa que alguns biocidas, como o tributilestanho (TBT), já foram banidos pela União Europeia, que tem exigido o desenvolvimento de alternativas ambientalmente seguras.

Agora, um consórcio de investigadores liderado pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), em colaboração com a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto, em Portugal, desenvolveu uma nova abordagem anti-incrustante baseada em peptídeos naturais produzidos por cianobactérias marinhas.

A prova de conceito, publicada na revista científica Trends in Biotechnology, demonstrou que estes peptídeos são capazes de substituir biocidas tóxicos que dominam o mercado de tintas anti-incrustantes usadas na indústria marítima.

A Dra. Joana Almeida, pesquisadora do grupo de Interfaces Oceânicas Bioinspiradas do CIIMAR e líder do estudo, explicou que “a principal inovação deste trabalho está no uso de peptídeos naturais produzidos por cianobactérias, que interferem seletivamente nos processos iniciais de colonização biológica, sem prejuízo para organismos não-alvo nem para a biodiversidade marinha”.

O resultado é um produto capaz de “controlar eficazmente a bioincrustação marinha sem recorrer à liberação contínua de biocidas tóxicos, abrindo caminho a uma nova geração de revestimentos anti-incrustantes ambientalmente responsáveis”, concluíram os pesquisadores.

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Autores/Pesquisadores Citados

Pesquisadora do grupo de Interfaces Oceânicas Bioinspiradas do CIIMAR

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