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RossHelen via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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A cirurgia de ressecção de osteossarcoma (câncer ósseo) precisa eliminar as células cancerígenas do osso para minimizar o risco de recividas, ao mesmo tempo em que é importante preservar o máximo possível de tecido natural, o que aumenta a capacidade do corpo de se curar e recuperar sua função.
Ou seja, durante a cirurgia, o cirurgião fica frente a um dilema: remover excesso de osso, incluindo tecido saudável, pode dar mais garantia de remoção total do tumor, mas pode fragilizar a estrutura óssea ou a articulação; mas remover pouco osso pode deixar células cancerígenas ainda instaladas, e facilitar a recivida pós-cirúrgica da doença.
Neste cenário, novos recursos tecnológicos têm sido incorporados como elementos que podem melhorar a precisão e os resultados das cirurgias.
Pesquisadores da Escola de Medicina e da Escola de Engenharia da Universidade Yale, nos EUA, publicaram na revista científica Arthroplasty um estudo sobre os desafios e possibilidades da cirurgia de câncer ósseo.
No estudo, os pesquisadores compararam cirurgias realizadas em modelos anatômicos com realidade mista, com instrumentação personalizada e também cirurgias manuais livres, sem esses recursos tecnológicos.
A cirurgia manual livre depende fundamentalmente da habilidade e expertise do cirurgião. Muitas vezes, dada a complexidade da anatomia da região envolvida na cirurgia e as incertezas sobre os limites exatos do tumor, mesmo um cirurgião muito experiente pode levar a resultados não satisfatórios.
Uma alternativa à cirurgia manual livre seria incluir o uso de guias cirúrgicos impressos em 3D, que podem ajudar a reduzir os riscos cirúrgicos e atender melhor ao planejamento pré-cirúrgico. A partir de exames de imagens realizados pelo paciente, é possível fazer a reconstrução anatômica da região em 3D e imprimir guias personalizadas que orientam e posicionam as ferramentas cirúrgicas durante a cirurgia. Esse recurso pode ser fundamental para que a ressecção seja feita da melhor maneira possível, de acordo com a situação real do paciente.
Já a realidade mista está na fronteira tecnológica da cirurgia integrada de alta precisão. Com esse recurso, informações digitais são sobrepostas diretamente no ambiente real, permitindo visualizar o osso do paciente e uma camada holográfica em destaque que mostra o planejamento cirúrgico simultaneamente.
Com a realidade mista, o cirurgião pode ver em seu headset exatamente onde está o tumor sob a superfície e onde a linha de segurança foi traçada na fase de planejamento pré-cirúrgico.
No estudo, os pesquisadores constataram que a cirurgia de ressecção manual livre (sem o uso de guias), mesmo realizada por um especialista altamente treinado, apresentou maior risco, enquanto a cirurgia auxiliada por realidade mista apresentou os melhores resultados.
Embora as guias cirúrgicas impressas em 3D tenham se mostrado ligeiramente mais estáveis, o headset de realidade mista ofereceu maior flexibilidade e adaptabilidade.
Mas o estudo também mostrou que a capacidade do cirurgião continua importante. Os pesquisadores relataram que, em um dos casos, um dos modelos digitais apresentou instabilidade, demonstrando que a tecnologia também pode falhar. Sendo assim, mesmo um cirurgião que utiliza realidade mista ainda precisa dominar a técnica manual e estar preparado para assumir o controle total caso o sistema falhe.
Agora, os pesquisadores avaliam que mais pesquisas são necessárias para comparar essas técnicas em casos cirúrgicos reais.
Outros avanços

Universidade da Califórnia em San Francisco

Universidade Politécnica de Madri

